Rutura no Montepio. José Morgado, presidente do banco, sai no final do ano

José Félix Morgado vai sair da presidência do Montepio nas próximas semanas, em rutura com Tomás Correia, presidente da associação mutualista e acionista do banco.

A rutura entre Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista Montepio, e o José Félix Morgado, presidente da Caixa Económica Montepio Geral, estava pré-anunciada há meses e agora vai mesmo consumar-se: o gestor que lidera o banco Montepio vai sair nas próximas semanas, previsivelmente até ao final do ano, confirmou o ECO junto de vários fontes.

A notícia corria há semanas e este sábado a SIC Notícias avançou com a história, e com um calendário. José Félix Morgado vai sair no início do ano, na sequência da entrada de novos acionistas, entre os quais a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que quer ter dois administradores na gestão. O ECO confirmou a saída de Morgado, mas não é uma consequência direta da entrada da Santa Casa, agora liderada por Edmundo Martinho. Nem qualquer facto relacionado com créditos passados, no mandato de Tomás Correia como presidente do banco. Há outras razões, mais fundas, e resultam das divergências insanáveis entre Morgado e o presidente da Associação e acionista do banco, Tomás Correia.

De acordo com várias fontes, Tomás Correia queria há meses mudar dois administradores do banco, Lopes Raimundo e João Neves, pretensão que foi rejeitada por José Félix Morgado. Nessa altura, terá dito a Tomás Correia que apresentaria a demissão se essa mudança ocorresse. O destino ficou traçado, apesar do presidente do banco só terminar o mandato no final de 2018.

Este sábado, Tomás Correia anunciou no almoço de Natal do grupo, perante mais de mil pessoas, entre as quais se encontrava Félix Morgado, que a entrada da Santa Casa no capital do banco deverá ficar fechada até ao Natal. E nessa sequência, que haverá mudanças do modelo de governo do banco e dos próprios órgãos sociais. Para quem o ouviu, era claro o objetivo: José Morgado teria de sair, o que o ECO confirmou este sábado. Aliás, haverá já até um acordo entre Tomás Correia e José Morgado para a interrupção do mandato no banco. “O acionista é que escolhe o gestor”, confidenciou Morgado aos seus mais próximos, antecipando a rutura agora anunciada.

A notícia gerou uma reação imediata por parte da Associação Mutualista Montepio que diz ter recebido “a notícia” “com total surpresa”. “A ser verdade só responsabiliza quem a profere”, acrescenta fonte oficial da associação. “A Associação Mutualista Montepio não fará qualquer outro comentário sobre este tema”, acrescentou. Mas o ECO apurou junto de uma fonte da Caixa Económica Montepio Geral que Félix Morgado não se vai demitir.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai ter uma participação de, no máximo, 10% do capital da Caixa Económica Montepio Geral, mas terá uma palavra a dizer na gestão do banco. Em entrevista ao Público, publicada esta quarta-feira, o novo provedor, Edmundo Martinho, disse que a Santa Casa vai nomear um a dois gestores executivos no Montepio.

José Félix Morgado, sabe o ECO, discorda da ideia de transformar o Montepio num ‘banco social’ e confidenciou a vários dos seus colaboradores mais próximos que não sabe sequer o que isso significa. Além disso, o gestor tem reservas à forma como Tomás Correia está a cativar outros acionistas para o grupo, como os chineses CEFC Energy, que terão acordado o pagamento de 150 milhões de euros por 60% da Montepio Seguros, a holding do grupo que tem a Lusitânia. A possibilidade de este acionista vir também a entrar no capital do banco é vista com reservas por José Morgado, desde logo porque há investigações a correrem nos EUA (Financial Times, acesso pago) que atingem alguns dos gestores deste grupo.

E os resultados de José Morgado à frente do banco? A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) continua a apresentar lucros. Registou um resultado líquido de 20,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Isto em comparação com um prejuízo no mesmo período do ano passado. Uma recuperação que se baseia no aumento do produto bancário e redução dos custos operacionais. Mas também graças ao aumento das comissões.

(Notícia atualizada às 21h03 com a reação da Associação Mutualista Montepio)

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