BCE: Bancos têm de resolver malparado antes da próxima crise

  • ECO
  • 11 Dezembro 2017

Ainda que não seja previsível, Danièle Nouy avisa para iminência de uma nova crise, que irá chegar. Quando isso acontecer, os bancos não podem estar sobrecarregados com malparado.

Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, considera que ainda que os bancos apontem críticas à política monetária seguida pela instituição que integra, a principal preocupação, antes de chegar uma nova crise, tem de ser o malparado. E essa crise vai chegar.

Em entrevista ao jornal Público, Nouy afirma que as críticas já eram de esperar, visto que “é doloroso lidar com o crédito malparado e que certos países estão a sofrer com elevados volumes de exposição ao mesmo”, “mas é o que tem de ser feito”. No horizonte estão as preocupações com a próxima crise, que ainda que não seja previsível, vai acontecer.

"Não queremos que os bancos entrem na próxima crise sobrecarregados pelo legado da crise anterior. Porque vai haver uma próxima crise; há sempre uma nova crise.”

Danièle Nouy

Presidente do Conselho de Supervisão do BCE

“Não queremos que os bancos entrem na próxima crise sobrecarregados pelo legado da crise anterior. Porque vai haver uma próxima crise; há sempre uma nova crise”, esclareceu a presidente. “Não sabemos o que a irá desencadear, nem quando terá lugar, mas haverá uma nova crise. E se estivesse tudo na mesma relativamente ao crédito malparado, eu não teria feito o meu trabalho.”

Em relação às ferramentas de resolução desta exposição, Nouy afirma que o BCE não não está a ir para além daquelas que são as funções, como já foi apontado pelo Parlamento Europeu. “Não estamos a ir além do mandato do BCE. É não só o nosso mandato, como também a nossa obrigação fazer face aos riscos e às fragilidades dos bancos”, considera.

Nouy afirmou ainda que o BCE está a seguir “atentamente” a plataforma de gestão de crédito malparado que junta CGD, BCP e Novo Banco e que “esta é uma boa ferramenta”. “Para os países que têm este problema – e Portugal é um deles –, a sua magnitude é tão importante que é preciso usar todas as ferramentas possíveis. E esta é uma boa ferramenta”, afirma a presidente do Conselho de Supervisão.

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