Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa rejeita novo horário

  • Marta Santos Silva
  • 12 Dezembro 2017

A comissão eleita pelos trabalhadores opõe-se à imposição da empresa de novas regras, incluindo horários e turnos, a partir de fevereiro. A comissão pede retoma do processo negocial.

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa, fábrica da Volkswagen em Palmela, é contra a decisão da administração de impor, fora de negociações, um novo modelo de trabalho que inclui turnos noturnos, laboração contínua e trabalho ao sábado. Após uma reunião esta tarde, a CT decidiu que o novo modelo contraria “a vontade expressa pela maioria dos trabalhadores”, que chumbaram dois pré-acordos que, considera a CT, eram mais favoráveis do que este modelo, que “rejeita por completo”.

A CT, liderada por Fernando Gonçalves, disse em comunicado obtido pelo Dinheiro Vivo e pelo Público que “deverá ser retomado o processo negocial”, começando com um plenário que foi convocado para dia 20, de maneira a ouvir as perspetivas dos trabalhadores. O plenário tem como objetivo “discutir a situação da empresa e exigência de nova negociação” e também a “apresentação do caderno reivindicativo” para o ano que vem.

No mesmo dia 20, o sindicato SITE-Sul, um dos que representa trabalhadores da Autoeuropa, vai reunir com a administração da empresa. O SITE-Sul já reuniu esta manhã com a administração, após a apresentação e divulgação do novo modelo de trabalho, e fez exigências para que o trabalho ao sábado seja apenas voluntário e para que as condições remuneratórias sejam melhoradas, entre outros. Ao ECO, o dirigente sindical Eduardo Florindo disse ver a possibilidade de um consenso com a empresa que resulte em melhores circunstâncias para os trabalhadores.

O horário imposto pela Autoeuropa inclui trabalho ao sábado, turnos de noite resultando em laboração contínua, e o compromisso de negociar um novo modelo de trabalho a implementar a partir de agosto, com uma nova equipa para ser integrada no trabalho de produção do automóvel da Volkswagen T-Roc.

A administração e a Comissão de Trabalhadores deverão ser recebidos esta sexta-feira no Ministério do Trabalho e da Segurança Social pelo ministro da tutela, Vieira da Silva, para facilitar as negociações e o diálogo.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa rejeita novo horário

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião