Nuno Mota Pinto vai ser o novo CEO do Montepio

  • ECO
  • 14 Dezembro 2017

Membro do conselho do Banco Mundial, Nuno Mota Pinto vai suceder a José Félix Morgado na liderança do banco Montepio.

A Associação Mutualista escolheu o nome de Nuno Mota Pinto para o cargo de presidente executivo da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). A substituição na liderança do banco surge na sequência da rutura entre Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista Montepio, e o José Félix Morgado, presidente da Caixa Económica Montepio Geral.

A notícia foi avançada pelo Jornal Económico e pela TVI24 e já foi, entretanto, confirmada por fonte oficial da Associação Mutualista.

“Nuno Mota Pinto foi convidado e já aceitou presidir à Comissão Executiva da CEMG. Iniciará as suas funções logo que, nas próximas semanas, sejam cumpridos os tramites estatutários, legais e regulamentares. A escolha reúne o consenso da estrutura acionista e adequa-se ao perfil requerido para a execução da estratégia definida no sentido de dar cumprimento aos objetivos de transformação da CEMG na instituição financeira portuguesa de referência para a economia social”, pode ler-se no comunicado enviado pela Associação Mutualista às redações.

Licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra, Nuno Mota Pinto iniciou a carreira na banca na década de 1990 e é administrador do Banco Mundial desde 2003, sendo o representante de Itália, Portugal, Grécia, Albânia, Malta, São Marino e Timor Leste. Trabalhou ainda no Fundo Monetário Internacional (FMI), nas áreas de financiamento para o desenvolvimento, redução da pobreza e abordagens às crises económicas e financeiras.

Chega ao Montepio em profunda mudança com a entrada de novos acionistas, incluindo a Santa Casa da Misericórdia, que deverá investir cerca de 200 milhões de euros por uma participação de 10% do Montepio, conforme anunciou Tomás Correia no almoço de Natal do grupo no passado sábado.

Aliás, foi durante este almoço que o presidente da Associação Mutualista — que detém o Montepio a 100% — revelou alterações no modelo de governação do banco e na composição dos órgãos sociais.

Conforme avançou o ECO, a saída de Félix Morgado não resulta diretamente da entrada da Santa Casa agora liderada por Edmundo Correia, mas antes de divergências insanáveis com Tomás Correia.

De acordo com várias fontes, Tomás Correia queria há meses mudar dois administradores do banco, Lopes Raimundo e João Neves, pretensão que foi rejeitada por José Félix Morgado. Nessa altura, terá dito a Tomás Correia que apresentaria a demissão se essa mudança ocorresse.

José Félix Morgado discorda ainda da ideia de transformar o Montepio num ‘banco social’ e confidenciou a vários dos seus colaboradores mais próximos que não sabe sequer o que isso significa — aliás, de acordo com o Jornal Económico, o facto de Nuno Mota Pinto ser do Banco Mundial pode explicar a escolha de Tomás Correia para liderar Montepio, ele que deseja que transformar a instituição num banco da economia social.

As diferenças entre Félix Morgado e Tomás Correia não se ficam por aqui. O gestor tem reservas à forma como Tomás Correia está a cativar outros acionistas para o grupo, como os chineses CEFC Energy, que terão acordado o pagamento de 150 milhões de euros por 60% da Montepio Seguros, a holding do grupo que tem a Lusitânia.

A possibilidade de este acionista vir também a entrar no capital do banco é vista com reservas por José Morgado, desde logo porque há investigações a correrem nos EUA que atingem alguns dos gestores deste grupo.

Notícia atualizada às 19h15 com comunicado da Associação Mutualista Montepio.

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