Os 10 encontros em Davos que podem dar “match” (ou não)

  • Juliana Nogueira Santos
  • 23 Janeiro 2018

São milhares os líderes que vão estar presentes em Davos. Entre reuniões bilaterais e encontros em palco, haverá muitos que vão resultar e outros que podem dar faísca.

Davos será o pano de fundo dos encontros entre chefes de estado, líderes de empresas e ONG.Fotomontagem: Lídia Leão/ECO

Davos será o centro do mundo durante os próximos dias. Nesta comuna suíça, conhecida pelas estâncias de esqui, vão estar mais de 340 políticos de topo, 1.900 líderes de empresas e 900 líderes de Organizações Não Governamentais (ONG). Todos para marcarem presença no Fórum Económico Mundial deste ano.

Serão muitas as reuniões bilaterais, marcadas ou à margem, e os encontros em palco. Mas com várias relações atribuladas a cruzarem-se no mesmo espaço, os encontros poderão ser uma combinação perfeita ou incendiar a sala.

Christine Lagarde e Steven Mnuchin

A responsável do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e o secretário de Estado do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin vão estar à mesma mesa a discutir o caminho a seguir no sistema financeiro global. Com a ascensão das criptomoedas e a desvalorização do dólar, bem como os avanços tecnológicos, será a altura de os dois continentes estarem sintonizados em relação àquele que vai ser o futuro do sistema financeiro?

Elvira Nabiullina e Benoît Coeuré

Com os bancos centrais a abandonarem os estímulos financeiros que foram necessários na época após a crise financeira de 2008, impõe-se a questão: será que os mercados estão preparados para isto? Benoît Coeuré, membro do executivo do Banco Central Europeu, e Elvira Nabiullina, governadora do banco central russo, discutem o impacto do “fim do dinheiro fácil” da ótica dos credores.

Joseph E. Stiglitz e Paschal Donohoe

A Irlanda tem marcado as manchetes pelos problemas fiscais com as tecnológicas, que se têm aproveitado dos benefícios do país para manterem os seus lucros, como é o caso da Apple. O caminho para resolver a evasão fiscal passa pela diminuição da tributação ou apertar a fiscalização? O ministro das Finanças do país, Paschal Donohoe, vai discutir as soluções acompanhado pelo Nobel da Economia Joseph E. Stiglitz. A atenção estará também focada nos Paradise Papers e nos paraísos fiscais.

Thomas Farley e William Ford

As entradas em bolsa de tecnológicas parecem já uma coisa do passado. Nem mesmo os unicórnios — que já não são assim tão raros como outrora –, parecem ver nos mercados acionistas uma modalidade de financiamento. Assim, o presidente de um dos maiores índices bolsistas do mundo, o New York Stock Exchange, e o diretor de uma das tecnológicas interessadas em dar esse passo em frente, William Ford, da General Atlantic, abordam os novos modelos de financiamento, desde os venture capitalists até às ICO, que permitem obter o capital sem as restrições das IPO.

Dara Khosrowshahi e Ruth Porat

Os responsáveis por algumas das maiores evoluções tecnológicas deste século vão ter a oportunidade de não só estarem juntos, como de convencer o mundo de que a tecnologia é amiga do ser humano. Dara Khosrowshahi, presidente da Uber desde agosto do ano passado, e Ruth Portat, vice-presidente e CFO da mãe da Google, a Alphabet, vão compor o painel de convidados da sessão “Confiamos na tecnologia?”, para debater automação, privacidade e informação.

Robert J. Shiller e Joseph E. Stiglitz

Não há ninguém melhor para discutir o estado do mundo em termos económicos que três personalidades que receberam o Nobel da Economia. E não há melhor sítio para os do que Davos. Assim, Christopher Pissarides (2010), Robert J. Shiller (2013) e Joseph E. Stiglitz (2001) vão conversar informalmente sobre os imperativos económicos para o ano que se segue.

António Costa e Leo Varadkar

Os líderes dos dois países europeus que ultrapassaram os resgates financeiros vão sentar-se e discutir, em conjunto com Cecília Malmström, comissária europeia para o comércio, o esta nova fase da Europa. António Costa e o seu homólogo irlandês, Leo Varadkar, respondem à pergunta “como é que os líderes europeus podem revitalizar o projeto europeu e fortalecer o papel da Europa no mundo”.

Manuel Caldeira Cabral e Will.i.am

É provável que conheça Will.i.am da banda pop Black Eyed Peas, mas não é de batidas que este artista vai falar a Davos. Muito menos com Manuel Caldeira Cabral. Will.i.am é também fundador de uma startup de tecnologia e vai sentar-se com o ministro da Economia português para discutir o talento nas STEM — Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática — e os esforços que têm de ser tomados para garantir que nenhum talento é desperdiçado por esse mundo fora.

António Costa e João Lourenço

Os encontros em Davos não acontecem só nos palcos. Muitos dos líderes mundiais vão juntar-se à margem do evento, em reuniões bilaterais, como é o caso de António Costa e João Lourenço. O Governo angolano requisitou a reunião, para discutir a relação entre os dois países que tem sido afetada pelo processo movido pelas autoridades judiciais portuguesas contra o ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente no âmbito da operação “Fizz”. Lourenço irá também reunir-se com Christine Lagarde, do FMI.

Donald Trump e (ou versus) o mundo

Era a dúvida do Fórum Económico Mundial e acabou por ser a grande surpresa. Donald Trump vai ser o primeiro presidente dos Estados Unidos em vários anos a deslocar-se a Davos. Para além do discurso que vai dar no último dia de trabalhos, Trump vai cruzar-se com muitos dos líderes presentes — ainda que as relações estejam um pouco tremidas.

Ainda assim, e depois de criticar a cimeira, o presidente norte-americano vai, com certeza, ser o protagonista de muitos encontros que podem dar ‘match‘ ou incendiar ainda mais as relações.

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