EUA: Défice da balança comercial sobe a valores de 2008

  • Juliana Nogueira Santos
  • 6 Fevereiro 2018

A diferença entre importações e exportações aumentou 5,3% em dezembro para os 53,1 mil milhões de dólares, um valor que já não se registava desde outubro de 2008.

O défice da balança comercial dos Estados Unidos agravou-se naquele que foi o primeiro ano de presidência de Donald Trump, atingindo os valores registados aquando da recessão económica, em 2008. A melhoria deste indicador tem sido uma das maiores bandeiras do seu mandato.

A diferença entre importações e exportações aumentou 5,3% em dezembro para os 53,1 mil milhões de dólares, um valor que já não se registava desde outubro de 2008. Estes dados fazem com que o ano de 2017 feche com um balanço negativo de 566 mil milhões de dólares.

Evolução do défice comercial anual (valores em milhões de dólares)

Fonte: Commerce Department

Assim, os Estados Unidos registaram um volume de exportações de 2,33 biliões de dólares — um crescimento de 5,5% face a 2016 –, enquanto as importações ficaram nos 2,9 biliões de dólares — mais 6,7% que em 2016. O défice anual é também o mais elevado desde 2008.

A pesar mais na balança estiveram as importações de automóveis, computadores, telemóveis e outros bens de consumo, principalmente com origem chinesa. Aliás, o défice comercial em relação à China atingiu máximos históricos de 375 mil milhões de dólares. As importação provenientes do México também avançaram significativamente.

“A balança comercial deteriorou-se em dezembro, com o crescimento das importações continuou a exceder o das exportações”, apontam Yelena Shulyatyeva e Carl Riccadonna, analistas da Bloomberg. “Neste mês, este aumento terá resultado da pressa dos retalhistas receberem produtos antes do final do ano, temendo as taxas de importação em 2018″, referindo-se à entrada em vigor do novo plano fiscal, que castiga as empresas estrangeiras.

É evidente que os esforços feitos pela administração atual para equilibrar a balança ainda não surtiram quaisquer efeitos nos números, com muitos a afirmarem ainda que o aumento do poder de compra tem levado os norte-americanos a comprar mais produtos importados.

Assim, a conversações em torno dos acordos comerciais vão continuar neste ano de 2018, com o NAFTA e o Tratado Transpacífico a continuarem no centro das atenções. Trump já considerou que está disponível para negociar, desde que consiga um acordo justo para o seu país.

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