Taxa de desemprego caiu para 8,9% em 2017, mínimo de nove anos

2017 foi um ano de particular recuperação do mercado de trabalho em Portugal. Esta quarta-feira o INE revelou que a taxa de desemprego caiu para 8,9%, o valor mais baixo desde 2008.

A taxa de desemprego recuou para 8,9% no ano passado. Os dados foram revelados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Em 2016 a taxa de desemprego tinha ficado pelos 11,1%. A queda registada em 2017 retira Portugal do clube dos países com uma taxa de desemprego de dois dígitos.

Taxa de desemprego anual de 2000 a 2017

Fonte: Instituto Nacional de Estatística.

Em outubro de 2017, quando elaborou o Orçamento do Estado para 2018, o Governo estimava que a taxa de desemprego no ano passado ficasse em 9,2%. Os números do INE superam a previsão do Governo. “Em termos de média anual, a taxa de desemprego foi 8,9% em 2017, o que representa uma diminuição de 2,2 pontos percentuais em relação a 2016“, escreve o Instituto. Há nove anos que a taxa de desemprego não era tão baixa. Em 2008 estava nos 7,6%.

Em termos anuais, também há boas notícias para a taxa de desemprego de jovens (dos 15 a 24 anos): apesar de continuar elevada, a taxa caiu 4,1 pontos percentuais situando-se nos 23,9%. Ao todo, em 2017, a população desempregada fixou-se nos 462,9 mil pessoas — uma diminuição de 19,2% face a 2016, o que se traduz em menos 110,2 mil desempregados.

Por outro lado, a população empregada aumentou 3,3%, o que se traduziu em mais 151,4 mil postos de trabalho, em termos líquidos. Este foi o maior aumento de população empregada desde 2013. Ao todo, em 2017, havia 4.756,6 mil pessoas empregadas. “A taxa de atividade da população em idade ativa situou-se em 59,0%, valor superior em 0,5 pontos percentuais ao de 2016”, adianta o INE. A taxa de emprego subiu para os 53,7%, mais 1,7 pontos percentuais do que em 2016.

Que segmentos populacionais contribuíram mais para a queda da população desempregada? Segundo o INE, foram ambos os sexos, mas mais os homens; todos os grupos etários com destaque as pessoas com 45 ou mais anos; todos os níveis de escolaridade, sobretudo o das pessoas com, no máximo, o 3.º ciclo; pessoas à procura de novo emprego; os trabalhadores provenientes do setor dos serviços e da indústria, construção, energia e água; e ainda as pessoas à procura de emprego há 12 ou mais meses.

Em termos de regiões, todas registaram uma queda da taxa de desemprego em 2017. Foi no Alentejo que a taxa mais caiu: em 2016, o desemprego situava-se em 12,1%, mas diminuiu 3,7 pontos percentuais para os 8,4%. Seguiram-se as quedas da taxa de desemprego na Madeira, Açores, na Área Metropolitana de Lisboa e no Norte. A região do Centro e do Algarve foram as que diminuíram menos o desemprego.

“Relativamente ao ano de 2016, a taxa de jovens não empregados que não estão em educação ou formação diminuiu 2 pontos percentuais”, assinala o INE. No total, em 2017, ainda existiam 251,3 mil jovens dos 15 aos 34 anos que não tinham emprego nem estavam a estudar ou em formação.

4.º trimestre confirma tendência de queda

A taxa de desemprego no último trimestre de 2017 confirma a tendência de diminuição. No quarto trimestre, a taxa de desemprego caiu para os 8,1%, menos 0,4 pontos percentuais que no terceiro trimestre. “A população desempregada, estimada em 422,0 mil pessoas, registou uma diminuição trimestral de 4,9% (menos 22,0 mil), prosseguindo as diminuições trimestrais observadas desde o 2.º trimestre de 2016”, explica a nota do Instituto Nacional de Estatística.

No quarto trimestre, a população empregada registou um aumento homólogo de 3,5%, o que se traduziu em mais 161,3 mil pessoas empregadas — o maior crescimento desde o quarto trimestre de 2013.

Já “a taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) foi 23,5%, tendo diminuído 0,7 pontos percentuais face ao trimestre anterior”. “A taxa de desemprego dos homens (7,7%) foi inferior à das mulheres (8,4%) em 0,7 p.p., tendo a primeira mantido-se inalterada em relação ao trimestre anterior e a segunda diminuído 0,8 p.p.”, adianta ainda o INE.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h15)

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