Governo lança concurso para construção “do maior troço de linha férrea dos últimos 100 anos”

  • Cristina Oliveira da Silva
  • 15 Fevereiro 2018

Pedro Marques afirmou que será lançado, em 30 dias, o concurso para a construção da linha entre Évora e Elvas. O ministro está no Parlamento para a interpelação marcada pelo PCP.

O Governo apontou esta quinta-feira para o lançamento, nos próximos 30 dias, do concurso para a construção “do maior troço de linha férrea dos últimos 100 anos em Portugal”: a linha entre Évora e Elvas.

Falando perante os deputados, o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, indicou que no prazo de um mês será iniciada a modernização do troço ente Elvas e a Fronteira, bem como da linha da Beira Baixa, entre a Covilhã e Guarda, o que permitirá “reabrir a ligação entre estas duas cidades que estava encerrada há cerca de uma década”.

Para o ministro, está em causa um momento de viragem na ferrovia portuguesa. Mas “mais marcante ainda” será, também nestes 30 dias, o lançamento do concurso para a construção do “maior troço de linha férrea dos últimos 100 anos em Portugal, a linha entre Évora e Elvas”, realçou.

De acordo com Pedro Marques, será lançado em breve o “maior concurso de há muitos anos para intervenções na ferrovia no valor de cerca de 400 milhões de euros“.

Pedro Marques falava no âmbito da interpelação ao Governo marcada PCP sobre “Política geral centrada nas necessidades de investimento nos serviços públicos, nomeadamente nos setores da Saúde, Educação, Transportes e Comunicações”. Na intervenção inicial, o deputado comunista Bruno Dias salientou que, de acordo com dados do Eurostat, há apenas um país na Europa com mais quilómetros de autoestrada do que de ferrovia: Portugal.

“É preciso romper com essa política de cortes orçamentais nas empresas, de agravamento da exploração dos trabalhadores e redução de quadros operacionais, de desinvestimento em frotas e equipamentos, de abandono dos serviços de manutenção, de privatizações e concessão de serviços a grupos económicos, de encerramento de linhas e carreiras, de aumento de preços e tarifas”, disse ainda o deputado.

O PCP também trouxe ao debate a situação de outros serviços, nomeadamente no âmbito dos CTT, do SNS e da escola pública e da PT. Bruno Dias entende que é “verdadeiramente intolerável” o que se passa nas zonas afetadas pelos incêndios de 2017, que deixaram de ter ligações telefónicas, com a PT Altice a deixar as famílias sem serviço reposto ou até “aproveitando para fazer negócio”.

O debate contou ainda com críticas da direita parlamentar. Carlos Silva, do PSD, reiterou que “mete dó esta oposição faz-de-conta”, que vota a favor “de tudo” mas protesta “em português suave”.

De acordo com o deputado, o Governo é “o campeão das promessas” mas a realidade é outra, “e muito dura para os utentes dos transportes públicos”, que continuam a “chegar tarde e a más horas” aos seus compromissos. Carlos Silva apontou ainda para “tempos de espera ridículos, dignos de terceiro mundo”, para depois os utentes viajarem “enlatados”.

(notícia atualizada às 17h23)

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