Além do crédito rápido, CGD ataca habitação pelo spread. Baixa taxa mínima para 1,5%

A CGD reviu em baixa a sua margem mínima de spreads no crédito à habitação para 1,5%. Deixa, assim, de ter o spread mínimo mais alto do mercado. Iguala a margem praticada pelo Novo Banco e o BPI.

Após a rapidez, chega a vez de a Caixa Geral de Depósitos (CGD) apostar em crédito à habitação mais barato. O banco liderado por Paulo Macedo reviu em baixa o seu leque de spreads, com a margem mínima a passar a ser de 1,5%. Com essa revisão, o banco de capitais públicos deixa de apresentar o spread mínimo mais elevado do mercado, para igualar o oferecido pelo Novo Banco e BPI.

O spread mínimo da CGD foi atualizado no preçário da instituição financeira esta quinta-feira, 15 de fevereiro, com este a descer em 25 pontos base, passando dos 1,75% para os 1,5%. O banco liderado por Paulo Macedo é assim a primeira instituição financeira a rever em baixa o limite mínimo de spreads em 2018. Há precisamente três anos que a Caixa não mexia na sua margem mínima do crédito para a casa.

Spreads mínimos da casa

Fonte: Preçários dos bancos

“A Caixa está atenta ao mercado e ajusta o preço para que a sua oferta continue competitiva“, afirmou fonte oficial da instituição liderada por Paulo Macedo ao ECO, para justificar a revisão na sua tabela de spreads.

O mínimo em vigor no banco público é agora igual ao disponibilizado pelo Novo Banco e pelo BPI, tendo este sido o último banco a descer o spread. Foi a 24 de novembro que o banco liderado por Pablo Forero colocou o seu spread mínimo nos 1,5%. Essa mexida aconteceu poucos dias depois de o Bankinter ter colocado a sua margem mínima nos 1,15%, que se mantém a mais baixa do mercado nacional, logo seguida pelo Santander Totta e BCP que cobram a partir de 1,25% para dar crédito para a compra de casa.

A Caixa está atenta ao mercado e ajusta o preço para que a sua oferta continue competitiva.

Fonte oficial da CGD

Após a revisão da CGD, o Crédito Agrícola fica isolado com a margem mínima mais elevada do mercado: 1,75%. Logo a seguir surge o EuroBic (1,65%) e o Montepio Geral (1,55%).

Spreads e rapidez: as armas dos bancos no crédito

A mexida no spread da CGD acontece num período em que a “guerra” dos bancos no crédito à habitação tem ganho novos contornos, com um foco na rapidez da sua disponibilização. No início deste ano, a CGD lançou uma campanha de crédito à habitação em que promovia como bandeira precisamente a rapidez, disponibilizando-se a oferecer uma “solução rápida”. No crédito à habitação “Caixa Casa Fast”, a CGD diz ser possível assegurar a respetiva contratação em até 15 dias úteis, o intervalo de tempo entre a simulação e a tomada de decisão.

Pouco depois, foi a vez de o Novo Banco apostar no mesmo rumo, com uma campanha promocional em que a instituição financeira liderada por António Ramalho garante dar uma resposta em 24 horas nos pedidos de crédito à habitação.

Spreads mais baixos e resposta rápida surgem assim como as principais ferramentas dos bancos para puxar pelos níveis de concessão de crédito à habitação e, em consequência, do crédito como um todo.

Aposta que de alguma forma tem sido ganha, mas que é insuficiente para impedir a queda dos stocks de crédito. No ano passado, os bancos disponibilizaram em torno de oito mil milhões de euros em crédito à habitação, um máximo histórico desde 2010. Contudo, o bolo do crédito à habitação continua em queda. No final do ano passado, os bancos tinham em carteira 93.216 milhões de euros em crédito à habitação, o patamar mais baixo desde fevereiro de 2007.

A CGD também tem sido afetada por essa quebra do stock de crédito. De acordo com os resultados de 2017 do banco de capitais público tinha um stock líquido de crédito à habitação na ordem dos 25.861 milhões de euros. Ou seja, menos 4,4% face a valor com que tinha terminado no ano anterior (27.064 milhões de euros).

O stock de crédito à habitação da CGD corresponde a uma quota de 25,4% do total do mercado nacional. A recente revisão em baixa do spread pode ajudar o banco liderado por Paulo Macedo a reforçar essa posição no mercado.

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