Paulo Macedo conseguiu pôr a CGD a dar lucro um ano antes do previsto

  • Rita Atalaia
  • 2 Fevereiro 2018

Um ano depois de assumir a liderança, Paulo Macedo conseguiu pôr a CGD a dar lucro. O banco público registou um resultado líquido positivo de 52 milhões em 2017. Previa só sair do vermelho em 2018.

Um ano antes do previsto, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) voltou aos lucros. O banco liderado por Paulo Macedo obteve resultados líquidos de 52 milhões em 2017, isto em comparação com um prejuízo de 1.860 milhões de euros no ano anterior, quando o resultado foi impactado por uma fatura elevada de imparidades. O banco estatal atribui esta evolução positiva ao aumento da margem financeira, mas também à redução de custos.

“A implementação do Plano Estratégico CGD 2020 conclui com sucesso o ano de 2017, resultando na melhoria dos seus níveis de eficiência e rentabilidade gerando um resultado líquido“, de acordo com um comunicado enviado pela CGD à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Paulo Macedo afirmou, nos resultados dos primeiros nove meses, que a CGD regressaria aos lucros em 2018. Acabou por conseguir fazê-lo ainda em 2017.

“O resultado líquido do ano de 2017 foi de 52 milhões de euros, impactado por custos não recorrentes de 609 milhões de euros”, lê-se no documento. Estes custos não recorrentes, explica a CGD, são “referentes a programas de redução de pessoal e custos relacionados com a reestruturação e alienação de ativos nacionais e internacionais, bem como à aplicação da norma IAS 29 à atividade em, Angola, com impacto de 30 milhões de euros”.

No plano de negócio, a CGD definiu com a Comissão Europeia encerrar 180 balcões e despedir 2.200 funcionários até 2020 para que a injeção de capital público no banco não fosse considerada como ajuda de Estado. Olhando para o número de balcões, José Brito notou, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados, que houve uma diminuição de 64 agências. Em relação aos funcionários, a CGD registou a saída de 547 trabalhadores nestes últimos 12 meses.

Mais negócio, mais margem (e comissões)

A dar força aos resultados esteve a subida da margem financeira — diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos. Esta rubrica registou um crescimento de 19% para os 1.241 milhões de euros, beneficiando do crescimento da concessão de novo financiamento (que apresenta margens mais elevadas) num contexto em que os bancos estão a pagar juros de quase zero pelos depósitos — o saldo de depósitos caiu devido à maior aposta nas OTRV.

A Caixa, que tem estado em foco devido ao aumento das comissões bancárias, nomeadamente para os jovens e os mais idosos, revelou um aumento de 3% das comissões líquidas, para 465 milhões — mas a subida que “fica muito aquém” em comparação com os anos da crise, diz Macedo. Ao mesmo tempo, assistiu-se a uma redução dos custos. “A redução dos custos de estrutura recorrentes em 79 milhões de euros, menos 7% face ao incorrido em 2016”, de acordo com o banco estatal.

Malparado cai. Rácios sobem

A qualidade dos ativos também “evoluiu positivamente em 2017, com os rácios de NPE [Non Performing Exposure] e NPL [Non Performing Loans] a atingirem respetivamente 9,3% e 12,1% (12,1% e 15,8% em dezembro último)”, refere o banco liderado por Paulo Macedo, acrescentando que, em valor absoluto, o montante de NPL reduziu-se 2,7 mil milhões de euros em 2017 (-26%) com a cobertura por imparidades a alcançar 57,2% no final do ano”. Em 2016, a fatura com o malparado ascendeu a três mil milhões de euros. Caiu para 677 milhões.

Ao mesmo tempo que o malparado caiu, reduzindo as provisões, o que ajudou a CGD a apresentar resultados positivos, os rácios de capital do banco estatal aumentaram. “Os rácios de capital CET1, totalmente implementado e faseado, situaram-se ambos nos 14% em dezembro de 2017, o que representa uma melhoria significativa face ao ano anterior” e permite “cumprir o requisito regulatório”, remata.

(Notícia atualizada às 18h19 com mais informação)

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