Entre ações e dívida, maior fundo soberano do mundo tem valor recorde de 1,7 mil milhões em Lisboa

O maior fundo soberano do mundo nunca teve tanto dinheiro investido na bolsa de Lisboa. Ainda assim, o Norges Bank ganhou mais com a aposta na dívida portuguesa do que com ações nacionais.

O maior fundo soberano do mundo registou lucros recorde em 2017. E Portugal contribuiu para esse bom resultado. Feitas as contas, o Norges Bank “ganhou” 466 milhões de euros em Lisboa com a aposta em dívida e ações de empresas e Governo. E já tem investidos quase 1,7 mil milhões de euros por cá, naquilo que pode refletir não só numa valorização global dos ativos nacionais como também na maior confiança dos noruegueses no país.

Lá por fora, foram as ações que mais deram a ganhar ao Norges Bank — mais do que as obrigações ou imobiliário. Um cenário que contrasta com aquilo que se passou com os seus investimentos em Portugal: o fundo de um bilião de dólares ganhou mais com dívida portuguesa do que propriamente com ações.

Vamos por partes. Ainda que nunca tenha investido tanto na bolsa portuguesa, entre reforços e vendas de posições, valorizações e desvalorizações de ações, a carteira do maior fundo soberano do mundo engordou 193 milhões de euros. Passou dos 783 milhões de euros no final do ano passado para os 976 milhões de euros, de acordo com os cálculos do ECO.

Há duas novidades no portfolio de ações: a Impresa e Sonae Capital. Ainda assim, as maiores aplicações estão sobretudo concentradas na EDP, Galp, Jerónimo Martins, Nos e BCP (que passou a ser a quinta maior posição do fundo em Lisboa, superando a Navigator).

As cinco apostas do fundo em Lisboa

Fonte: Norges Bank e Reuters

Em relação à dívida, o investimento do fundo soberano norueguês aumentou 274 milhões de euros: a sua aplicação de 435 milhões de euros em títulos de dívida em Portugal no final de 2016 transformou-se num investimento de 709 milhões de euros em 2017 — o montante mais elevado desde 2011, ano do resgate financeiro internacional ao país.

O Norges Fund adicionou ao seu cabaz dívida de três bancos nacionais no ano passado: BCP, Santander Totta e Montepio. Mas a sua carteira continua bastante preenchida por obrigações do Governo, numa aplicação que supera já os 500 milhões de euros.

Dívida portuguesa também faz parte da carteira dos noruegueses

Fonte: Norges Bank e Reuters

O reforço da carteira com ativos portugueses para máximos desde 2010 surgiu num ano em que o Norges Bank apresentou uma rentabilidade de 13,7%, duplicando o retorno de 2016, graças sobretudo ao bom momento registado nos mercados acionistas mundiais. “O nosso investimento em ações gerou um retorno expressivo de perto de 20%”, explicou Yngve Slyngstad, o CEO do fundo, sendo a Apple a maior posição.

O valor dos ativos sob gestão engordou em 106 mil milhões de euros, totalizando 880 mil milhões de euros. Ou seja, Portugal representa apenas 0,19% do total das aplicações do fundo do petróleo norueguês.

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