Uma temporada depois, Ibersol e Novabase descem à segunda liga da bolsa

Foram as últimas a entrar no índice de referência. Um ano depois, vão ser despromovidas do PSI-20, dando lugar a outras duas cotadas. A decisão deve ser revelada hoje pela Euronext Lisboa.

Há muito tempo que o PSI-20 tem apenas 18 cotadas — chegou a ter menos com a saída do BPI. E vai continuar sem conseguir apresentar o número de títulos que o nome indica. É que da revisão anual do índice de referência do mercado português não deverá surgir nenhum nome novo para engordar a lista de cotadas. Mas isso não quer dizer que não haja novidades. Há. Duas empresas vão sair, dando lugar a outras duas. As que saem foram as últimas a ser promovidas à primeira liga da bolsa de Lisboa, há um ano.

Depois da saída do BPI do PSI-20, no seguimento da OPA do La Caixa, o principal índice acionista nacional ficou com 17 cotadas. Foi preciso esperar até março para que a gestora da bolsa nacional, a Euronext, apresentasse uma solução. As regras do índice impedem que este tenha menos de 18 títulos. Por isso, na revisão anual, mesmo sem empresas fora do índice principal capazes de cumprir com todos os requisitos, foram anunciadas duas entradas: a Novabase e a Ibersol, elevando o número para 19.

Agora, já com o PSI-20 de volta aos 18 títulos, depois da saída do Montepio, as duas cotadas voltam a descer à segunda liga, de acordo com os cálculos do ECO, com base nos dados da Reuters. A decisão deverá ser anunciada esta terça-feira pela Euronext Lisboa, no seguimento da reunião do Comité do PSI-20. A saída destes dois títulos do cabaz de referência nacional acontecerá mais para o final do mês. Deverão cumprir a última jornada no índice principal a 23 de março.

Tanto a Novabase como a Ibersol eram já repetentes no campeonato principal da bolsa portuguesa. A tecnológica liderada por Luís Paulo Salvado tinha sido despromovida em 2013, enquanto a Ibersol tinha estado pela última vez no PSI-20 em 2003, tendo regressado no ano passado. Nem uma nem outra, contudo, conseguiu aproveitar a montra que é o PSI-20. Logo após o primeiro mês de permanência no PSI-20, já o ECO dava conta da fraca expressão das duas cotadas em termos de títulos trocados na bolsa — em muitas das sessões passavam horas e horas sem sequer negociar.

Regresso da Sonae Indústria. Quem será a outra?

Se saem duas, e se o PSI-20 não pode ter menos de 18 títulos, há vagas por preencher. E o ECO sabe que a Euronext Lisboa irá substituir estes dois títulos por outros dois que, espera, possam tornar o índice mais competitivo. São duas posições para três candidatas. Impresa, Sonae Indústria e F. Ramada, de acordo com os cálculos realizados pelo ECO com base em dados da Reuters, são as cotadas em melhor forma para tomarem a posição da tecnológica e da empresa de fast food no índice.

Das três alternativas, aquela que aparenta ter vaga garantida é a Sonae Indústria. A promoção da empresa de aglomerados de madeira, juntando-se à Sonae e Sonae Capital, deverá surgir depois de um ano de importantes alterações naquilo que é a presença da empresa no mercado de capitais português. Ficou mais pequena, mas mais robusta. Como?

A cotada reduziu o seu capital de 812 milhões de euros para 253,3 milhões de euros para “cobertura de prejuízos” de mais de 600 milhões de euros registados entre 2008 e 2015. Adicionalmente, a empresa liderada por Paulo Azevedo procedeu a um reverse stock split em julho, numa operação que reagrupou 250 ações a valer 0,89 cêntimos num só título que chegou ao mercado com o preço de 2,225 euros. Atualmente, negoceia nos 3,91 euros, traduzindo uma valorização de 75% em pouco mais de meio ano.

Já não é uma penny stock. E isso é um bom argumento para regressar agora ao PSI-20, apesar de continuar a ser uma empresa com um valor de mercado com base no free float que não chega para o standard da bolsa de Lisboa. Apesar de valer 177 milhões de euros em bolsa, com base no capital efetivamente disperso no mercado, a capitalização não vai além dos 55 milhões, pouco mais de metade dos 100 milhões definidos nas regras. O mesmo acontece, contudo, com a F. Ramada e a Impresa, sendo que esta última é a que está mais longe de cumprir este requisito (vale 14,8 milhões).

As regras do PSI-20, em resumo:

  • “As empresas que tenham um free float inferior a 15% não serão selecionadas na revisão anual”, diz a Euronext. Ou seja, é necessário que estejam disponíveis para negociação pelo menos 15% das ações de forma a garantir a liquidez dos títulos.
  • “As ações de uma empresa devem ter uma free float velocity de, pelo menos, 25%”, ou seja, o número total de ações transacionadas deve representar, no mínimo, 25% do número total de ações cotadas disponíveis para negociação (…) nos 12 meses relevantes para a revisão”.
  • As empresas que cumprirem as regras de liquidez, devem também ter um valor de mercado com base no capital em bolsa de mais de 100 milhões de euros. “Por princípio, [devem] ter” esta capitalização mínima, diz a Euronext. Mas no final caberá ao Comité do PSI-20 a decisão.

Ganhar visibilidade… junto dos fundos

A entrada e saída de empresas do PSI-20 tem sido uma constante nos últimos anos. Seja pelas revisões feitas pela gestora da bolsa nacional, seja porque muitas empresas acabaram por ser excluídas. Montepio, BPI e, mais para trás, Banif, Espírito Santo Financial Group (ESFG) e Banco Espírito Santo (BES), entre outros nomes menos sonantes, são alguns dos exemplos de cotadas que acabaram por empobrecer o mercado de referência da bolsa nacional. Um índice que quer ser a montra das grandes empresas portuguesas, especialmente para os fundos.

A promoção ao índice de referência tende a puxar pelas cotações das empresas. A integração de uma empresa no PSI 20 traz maior visibilidade e liquidez à ação, permitindo que um maior número de investidores, nacionais mas principalmente internacionais, procurem as ações. Estas ações são especialmente procuradas por fundos de investimento que procuram replicar o comportamento dos índices, aumentando a pressão compradora. Nem todas conseguem, contudo, aproveitar essa montra. A Teixeira Duarte, que várias vezes entrou e saiu do índice criado em 1993, raramente tirou partido.

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António Costa

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