António Costa admite que renegociação da dívida “continua a não ser um tema europeu”

Mesmo depois das eleições alemãs e o acordo para um novo Governo, a União Europeia não está nem deverá vir a discutir a renegociação da dívida de países como Portugal, admitiu o primeiro-ministro.

António Costa admitiu em Estrasburgo que o tema da renegociação da dívida de países altamente endividados como Portugal continua fora das discussões europeias. Com os esforços dedicados ao aprofundamento da União Económica e Monetária, nem as eleições alemãs e o acordo para formar Governo deverá mudar o cenário.

“Eu disse que antes das eleições alemãs seguramente esse não seria um tema europeu. E verifico que continua a não ser um tema europeu“, afirmou o primeiro-ministro aos jornalistas, após ter estado no Parlamento Europeu a debater o futuro da Europa. Anteriormente, Costa tinha dito que até haver Governo alemão “a União Europeia não vai discutir nada em relação à dívida”. Ainda que a primeira parte tenha mudado, a segunda continua igual.

No final de 2016, já enquanto primeiro-ministro, António Costa admitiu que pudesse existir uma renegociação da dívida portuguesa. “A União Europeia não pode ignorar um problema que exige uma resposta europeia integrada”, disse em entrevista à RTP. A renegociação da dívida, incluindo o seu perdão parcial, é um das bandeiras dos partidos que apoiam o atual Governo, PCP e BE. Contudo, Costa também tinha dito que “seria inútil e contraproducente o Governo português iniciar essa discussão”.

Para já a estratégia passa por fazer os possíveis para diminuir essa dívida que, em 2017, ficou nos 125,6%. “Aquilo que há a fazer em relação à dívida é pagar. É o que temos estado a fazer. E termos uma gestão económica que com o crescimento da economia, a redução do desemprego e uma gestão orçamental prudente nos permita reduzir a dívida”, explicou o primeiro-ministro. Mesmo com Mário Centeno a liderar o Eurogrupo não é provável que a agenda portuguesa se imponha.

Atualmente o tema dominante na Comissão Europeia, Conselho Europeu e Eurogrupo é o aprofundamento da União Económica e Monetária, o que envolve uma série de partilha de riscos entre os Estados-membros. “O que é essencial para a zona euro é termos uma capacidade orçamental que permita corrigir as assimetrias“, defendeu António Costa, colocando a tónica na necessidade de Bruxelas apoiar a implementação de reformas nos países e proteger o investimento público.

O jornalista viajou para Estrasburgo a convite do Parlamento Europeu

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