Portugal obteve juros negativos em leilão de dívida de curto prazo mas já não foram recorde

Tesouro português levantou 1.250 milhões de euros em dívida a seis e 12 meses. Taxas exigidas pelos investidores continuam em terreno negativo, mas já não foram as mais baixas de sempre.

Portugal continua a obter taxas negativas nos leilões de dívida de curto prazo. Desta vez, para se financiar em 1.250 milhões de euros em títulos a seis meses e 12 meses, o Tesouro português registou juros de -0,424% e -0,394%, respetivamente. Mas já não foram um recorde.

Ainda é cedo para se perceber se estamos perante uma inversão de tendência. Há mais de um ano que os juros dos leilões portugueses têm vindo a cair para níveis mínimos, mesmo em terreno negativo. Na anterior operação semelhante, realizada em janeiro, Portugal conseguiu as taxas mais baixas de sempre nas mesmas maturidades para obter um financiamento de 1.750 milhões de euros.

Esta quarta-feira, o montante levantado foi inferior e a procura do lado dos investidores até se revelou mais robusta face ao leilão de há dois meses. Ainda assim, o IGCP registou um pequeno agravamento das condições de financiamento.

Por exemplo, a taxa de -0,424% no leilão de Bilhetes do Tesouro a seis meses compara com os -0,425% da anterior operação, isto perante uma procura que ficou quase três vezes acima da oferta. No caso do leilão a 12 meses, a taxa de -0,394% compara com o juro de -0,398% de janeiro — aqui a manifestação de interesse do mercado foi 2,12 vezes superior à oferta.

Juros dos leilões de dívida a 12 meses continuam em terreno negativo

Fonte: IGCP

“Continuamos a beneficiar de condições de liquidez facilitadas pela política do Banco Central Europeu (BCE) e de uma perceção do risco pouco realista”, referiu João Queiroz, do Banco Carregosa.

“Apesar do aumento de volatilidade e de risco no mercado, desde janeiro deste ano, e mesmo apesar de as taxas de longo prazo terem subido, a procura aumentou face às últimas emissões de dívida e as taxas até desceram ligeiramente. Isto significa que o mercado está a acreditar no curto prazo, ou seja, que o BCE não vai subir os juros, pelo menos até ao final deste ano. Isso justifica também a procura mais forte nos leilões de hoje”, acrescentou o responsável.

Na última reunião do BCE, o banco central deu mais um passo na retirada dos estímulos ao deixar cair do seu discurso oficial a promessa de prolongar ou aumentar o programa de compra de dívida pública na Zona Euro, cujo final está previsto para setembro deste ano.

Em relação aos juros de referência da região, que têm impacto nestes leilões de dívida dos Governos, os analistas acreditam que só no próximo ano a autoridade monetária deverá promover uma subida das taxas diretoras.

(Notícia atualizada às 11h13)

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