Rui Rio: Santa Casa está “a apanhar dinheiro dos pobres para pagar imparidades da banca”

  • Marta Santos Silva
  • 23 Março 2018

“Não é admissível”, nem para um Governo de esquerda, nem por um de direita. É assim que o líder do PSD reage à notícia da entrada da Santa Casa no Montepio.

A entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio “não é admissível”, nem por Governos de esquerda nem de direita, afirmou o dirigente do PSD, Rui Rio, numa conferência de imprensa esta sexta-feira transmitida pelas televisões. Em declarações aos jornalistas, o social-democrata criticou duramente que o Governo permita que a instituição participe no capital do banco, no mesmo dia em que o PSD entrega no Parlamento uma projeto de resolução apelando ao Executivo para que o proíba.

“Não contava que o Governo insistisse em apoiar a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) em entrar para o capital do Montepio”, disse o dirigente do PSD, afirmando que a instituição foi criada para apoiar os mais carenciados. “Estamos a pegar em dinheiro de apoio aos mais carenciados para pagar imparidades da banca”, acrescentou. “Acho que isto não é admissível”.

Rui Rio sublinhou que não aprovaria este tipo de participação em nenhuma circunstância, por ser um investimento de risco, mas que a achava especialmente incompreensível “depois da crise bancária que o mundo viveu”.

O dirigente social-democrata criticou ainda o valor falado para o investimento da SCML no Montepio. De acordo com declarações do provedor da instituição divulgadas esta sexta-feira, a SCML poderá dispor de uma verba em torno de 30 milhões de euros em troca de 3% do banco. Rui Rio pediu que fossem mostrados estudos para provar que o Montepio valeria mil milhões de euros no total.

“Quando nós pegamos em dinheiro de apoio aos mais carenciados, ou pobres, como foram chamados durante muito tempo, e o canalizamos para uma instituição que tem uma atividade comercial, acho que isto não é admissível”, acrescentou Rio. “Nem num governo de direita, nem num governo de centro, nem num governo de esquerda, mas um Governo de esquerda apoiado no parlamento pela esquerda das esquerdas é que não percebo como pode apoiar” este tipo de medida.

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