Conselho de administração do BCP “emagrece” para 17 gestores

A Fosun e a Sonangol defendiam uma administração com pelo menos 19 membros. Mas esta equipa será, afinal, mais reduzida: terá no máximo 17 gestores. Lista deve chegar ao BCE ainda esta semana.

A Fosun e a Sonangol, os dois principais acionistas do BCP, defenderam junto do Banco Central Europeu (BCE) que o conselho de administração do banco tivesse pelo menos 19 membros. Mas esta vontade não vai ser cumprida. A autoridade de supervisão europeia quer que a instituição financeira tenha, no máximo, 17 gestores, apurou o ECO. Fica agora a faltar a aprovação do regulador, que poderá receber a lista dos administradores ainda esta semana.

Foi no início deste mês que a Fosun e a Sonangol, os dois principais acionistas do BCP, chegaram a um princípio de acordo para a administração do banco no próximo triénio: Nuno Amado passa a chairman com poderes reforçados, substituindo António Monteiro, enquanto Miguel Maya assume o cargo de presidente executivo. Para desempenharem estas funções, Maya e Amado vão contar com o apoio de uma equipa que terá no máximo 17 gestores: seis executivos e 11 não executivos. Antes, o conselho de administração tinha 23 membros.

Por força das regras de governação, tem de haver um número de administradores não executivos superior ao número de executivos. Além disso, é preciso garantir o número de independentes suficientes para os diversos comités, como o de remunerações ou de auditoria.

Na comissão executiva, Maya vai ter na sua equipa Miguel Bragança, José Miguel Pessanha, Rui Teixeira, João Nuno Palma e, mais recentemente, Maria José Barreto de Campos, no quadro do banco desde 1999. Esta lista já estará fechada, segundo avançou o Expresso, mas ainda não foi enviada ao BCE. O regulador poderá receber os nomes ainda esta semana, apurou o ECO, ficando ainda a faltar a lista de não executivos, que estará por concluir.

Além dos nomes não executivos, falta também definir quem serão os vice-presidentes do conselho de administração. Uma decisão que poderá ser tomada na assembleia-geral de acionistas (AG), que se realiza a 15 de maio, ou ficar nas mãos do conselho. Neste caso, a segunda hipótese é a mais provável, uma vez que a AG deve focar-se essencialmente no papel que vai desempenhar o presidente executivo e o chairman do banco.

Amado fica com o mundo, Maya com Portugal

Será durante a AG do banco que se vão oficializar as mudanças na administração. A partir dessa data, Miguel Maya será o novo CEO do BCP e Nuno Amado vai ser o chairman, e com competências definidas: Amado fica com o mundo, Maya com Portugal.

Enquanto Maya vai assumir a gestão geral do banco enquanto presidente executivo, Amado vai ficar com o negócio internacional, mas também com a relação com os investidores. Apesar de os dois gestores ficarem responsáveis por pastas diferentes, há áreas que serão comuns ao chairman e CEO. É o caso da estratégia do banco e processos críticos.

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