Rio: Défice de 1% é “positivo” mas para 2018 prevê-se mais

  • ECO
  • 26 Março 2018

O líder do PSD fez questão de assinalar que o défice de 2017 ficou abaixo do previsto, mas que o de 2018 deve ser superior, pelo que haverá um agravamento "a não ser que não se cumpra" o OE2018.

Rui Rio, o líder do principal partido da oposição, considerou esta segunda-feira que o défice de 1% para 2017 é um “valor positivo” conseguido pelo Governo. O dirigente do PSD, em declarações transmitidas pela SIC Notícias, assinalou que o objetivo para 2017 era de 1,4%, pelo que houve uma melhoria significativa.

“Conseguir situar [o défice] a 1% quando estava para 1,4% é um valor positivo”, afirmou o líder social-democrata. O valor foi divulgado esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

No entanto, sublinhou Rui Rio, os objetivos para 2018 poderão não ser cumpridos. “Faço notar algo importante”, afirmou o dirigente. “Se for ver o Orçamento de Estado para 2018, lá está 1,2%”, afirmou.

Recorde-se que o objetivo inicial do Governo era atingir um défice de 1% em 2018, revisto em alta para 1,1% após terem sido contabilizadas as medidas a implementar após os incêndios do ano passado. Contactada pelo ECO, a equipa de Rui Rio corrigiu o valor inicialmente indicado pelo líder do PSD (de 1,2% para 1,1%), mas argumentou que se mantém a ideia subjacente às declarações.

Rui Rio acrescentou que, cumprindo-se a meta estabelecida, haveria um agravamento no próximo ano. “Isso significará que o défice se agrava de 2017 para 2018, a não ser que não seja executado o orçamento aprovado na Assembleia da República”.

Segundo apurou o ECO na semana passada, o Governo prepara-se para rever em baixa a meta do défice para este ano de 2018, depois dos resultados positivos alcançados em 2017. O novo objetivo, que constará do Programa de Estabilidade, pretende mostrar a vontade de Portugal manter uma trajetória de redução do défice.

Défice “é mau para o país”, diz a Esquerda

Uma trajetória de redução com a qual o Bloco de Esquerda (BE) não concorda. Numa reação aos dados hoje divulgados pelo INE, Pedro Filipe Soares considerou o desempenho das contas públicas “mau para o país e para as pessoas”.

O dirigente do Bloco criticou o valor do défice porque “é mau para o país, é mau para as pessoas e mau para os serviços públicos”, uma vez que “demonstra que era possível haver mais investimento público que o BE tinha reivindicado, por exemplo na saúde, na contratação de profissionais, na garantia da manutenção de equipamentos, na compra de novos equipamentos… e que claramente não foi feito”.

Para o Bloco de Esquerda não é aceitável que o défice tenha ficado “abaixo daquilo a que se tinha proposto”. O défice, sem o efeito da Caixa ficou em 0,9% do PIB, o valor mas baixo da democracia. Recorde-se que, em outubro de 2016, na proposta do Orçamento do Estado para 2017 ficou inscrito um valor de défice de 1,6%, um valor que foi posteriormente revisto em baixa para 1,4%. Mas que o Executivo já tinha assinalado por diversas vezes que iria ser ainda mais baixo, nomeadamente António Costa, que falou num défice perto de 1,1% em 2017.

Comissão Europeia remete comentário para maio

A Comissão Europeia escusou-se a comentar o estabelecimento do défice orçamental português nos 3% do PIB em 2017, remetendo uma avaliação para maio.

“A Comissão Europeia reconhece que o INE publicou os novos números. Para uma estimativa destes números, temos de aguardar pelos valores harmonizados do Eurostat, que serão publicados em 23 de abril”, disse aos jornalistas o porta-voz responsável pelos assuntos económicos e financeiros da Comissão Europeia, em Bruxelas. Posteriormente, segundo Christian Spahr, o executivo comunitário vai avaliar a situação de cada um dos 28 Estados-membros durante o semestre europeu, em maio, no quadro das “previsões económicas da primavera”.

(Notícia atualizada às 14h34 com mais reações. Nova atualização às 15h44 com contextualização e correção das declarações de Rui Rio)

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Rio: Défice de 1% é “positivo” mas para 2018 prevê-se mais

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião