Desemprego cai para taxa abaixo de 6% em 2020, prevê Banco de Portugal

Apesar da descida da taxa de desemprego, o emprego ainda não recuperou totalmente os níveis pré-crise mundial. Os salários vão continuar a crescer de forma moderada.

A taxa de desemprego vai continuar a cair até 2020, mas o número de pessoas empregadas ainda não recuperou totalmente e os salários vão permanecer contidos. Este é o panorama traçado pelo Banco de Portugal nas novas projeções macroeconómicas, divulgadas esta quarta-feira.

A taxa de desemprego em 2020 será de 5,6%, um valor abaixo da taxa verificada em 2008 (7,6%), ano que marca o início da crise mundial. Para este ano está prevista uma taxa de desemprego de 7,3% que continuará depois a reduzir-se. Em 2017 recuou para 8,9%.

Segundo o banco, para esta redução contínua contribuiu o facto de o crescimento do emprego ser “acompanhado de variações ligeiramente positivas da população ativa”, associadas ao “regresso de alguns indivíduos inativos ao mercado de trabalho nesta fase favorável do ciclo e ao aumento progressivo da idade de reforma”.

Contudo, apesar de a taxa de desemprego ser menor, o número de pessoas empregadas não será maior do que no início da crise mundial. Segundo o Departamento de Estudos Económicos, o nível médio do emprego será 1,6% inferior ao observado em 2008.

Depois do crescimento significativo do emprego no ano passado (3,3%) — “superior ao do PIB e cerca do dobro do observado em média no período 2014-16” — os acréscimos esperados para os anos seguintes serão mais contidos, o que não permitirá recuperar ainda as perdas geradas em 2008 com a crise mundial.

O emprego deverá aumentar 1,9% este ano, desacelerando para 1,3% em 2019 e 0,9% em 2020.

“A projeção tem implícito um crescimento fraco do produto por trabalhador“, admite o banco que vê na evolução deste indicador um travão para uma continuação da recuperação robusta do mercado de trabalho.

Apesar de admitir uma “aceleração moderada dos preços e dos salários nominais, num quadro de redução gradual das margens disponíveis no mercado de trabalho e na capacidade produtiva”, o banco avisa que os reflexos nos salários reais — que descontam os preços e por isso medem o poder de compra — serão parcos.

Haverá um “aumento contido dos salários reais, mais pronunciado em 2018 devido à atualização do salário mínimo”, afirma a instituição.

A contenção na evolução dos salários reais tem sido, aliás, uma tónica no espaço do euro, com os trabalhadores e os patrões a apostarem noutro tipo de compensações além do salário para fechar processos de negociação. Foi o que aconteceu este ano na Alemanha, quando o maior sindicato do país chegou a acordo com os patrões das maiores empresas, ao aceitar uma redução do número de horas de trabalho, em vez de um aumento salarial superior ao oferecido pelos empregadores.

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