Governo “desvia” fundos para despesas correntes, acusa Norte
"Isto é um desvio. É retirar um envelope com mais de 200 milhões de euros, que estava ao serviço do Norte e das suas prioridades, colocando-o ao serviço daquilo que é a ação do Governo", diz o CRN.
O Conselho Regional do Norte acusou esta quinta-feira o Governo de querer “desviar” 200 milhões de euros afetos à região pelo Portugal 2020 para pagar “despesas correntes” que entendem serem de assegurar através Orçamento do Estado.
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Em declarações aos jornalistas, no final de uma reunião daquele organismo, em Santo Tirso, o presidente do Conselho Regional do Norte, Paulo Cunha, alertou mesmo que a opção do executivo de usar a reprogramação dos fundos comunitários para “alocar” verbas destinadas ao investimento no Norte a um fundo nacional “viola as normas comunitárias”.
Na reunião de Santo Tirso “foi submetida e aprovada uma proposta que rejeita liminar e frontalmente uma vontade veiculada pela Comissão Interna Ministerial (…) que apontava no sentido de, no âmbito da reprogramação [do Portugal 2020], alocar 200 milhões de euros a um fundo de coesão, no caso concreto a fundo europeu que se prendia com intervenção na área de ação social escolar, e outras intervenções de despesa corrente“, explicou o também autarca de Vila Nova de Famalicão.
Aquela verba, “na perspetiva da Comissão de Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) devia estar afeta a investimento na região”, segundo Paulo Cunha. Para os autarcas do Norte, “isto, no fundo, é um desvio. É retirar um envelope com mais de 200 milhões de euros, que estava ao serviço do Norte e das prioridades do Norte, colocando-o ao serviço daquilo que é a ação do Governo”.
“Isto, no fundo, é um desvio. É retirar um envelope com mais e 200 milhões de euros, que estava ao serviço do Norte e das prioridades do Norte, colocando-o ao serviço daquilo que é a ação do Governo”
Paulo Cunha defendeu que os 200 milhões de euros “devem ficar no Norte” e ironizou que, “daqui a pouco, só falta que os salários da Função Publica também sejam pagos pelo quadro comunitário”. “O Governo quererá que a reprogramação em curso seja consensual, quererá não desvirtuar o quadro comunitário. Estou certo que Bruxelas estará atenta a esta matriz. É minha perspetiva que aquilo que Governo pretende viola as normas comunitárias que são aplicadas a esta situação e parece-me que isso seja suficiente para que haja uma inflexão”, disse.
Os autarcas e entidades presentes no Conselho Regional do Norte salientam que não está em causa reclamar mais dinheiro para a região, conforme acentuou Paulo Cunha. “Não estamos a pedir mais dinheiro, vamos ser claros. O bolo que foi afeto ao Norte – os três mil milhões de euros, sensivelmente – não queremos que ele aumente. O que nos interessa é que sejamos nós, Norte (…), a redirecionar as fatias desse bolo“, salientou.
O Conselho Regional do Norte é um órgão consultivo da CCDR-N, integrando os 86 presidentes de câmara municipais, organizações sociais, económicas, ambientais e científicas representativas do tecido institucional da região.
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