HSBC prefere Portugal a Itália. Diz para comprar dívida a dez anos

Banco britânico recomenda compra de dívida portuguesa a dez anos, apesar de as taxas estarem em mínimos. Aponta a estabilidade política como trunfo para os títulos nacionais face aos de Itália.

O HSBC está a recomendar aos investidores que comprem dívida portuguesa a dez anos. O banco britânico considera que ainda há margem para ganhos com os títulos nacionais, apesar de os juros estarem em mínimos, preferindo mesmo as obrigações de Portugal às de Itália. Porquê? Estabilidade política.

Os juros da dívida nacional têm vindo a cair de forma expressiva. Atualmente, a taxa a dez anos está nos 1,615%, um mínimo de quase três anos, apresentando quedas mais acentuadas as que as de outros países da Zona Euro. De tal forma, que o risco da dívida nacional é mesmo inferior ao da de Itália.

“Portugal tem vantagem perante a Itália, nomeadamente na questão da estabilidade política”, sublinha o banco de investimento, numa nota de research enviada aos clientes, esta quinta-feira, em que explana os argumentos pelos quais acredita que os juros da dívida portuguesa continuam a demonstrar um elevado potencial de descida.

De acordo com o analista Chris Attfield, a solução governativa encontrada pelo PS, que garantiu o apoio do PCP e Bloco de Esquerda, tem tido mérito pela sua “estabilidade”. “As próximas eleições em Portugal só vão acontecer no final de 2019 e a coligação governamental tem sido digna de nota tanto pela estabilidade como pelo rigor orçamental”, salienta o analista.

Esta estabilidade portuguesa contrasta com o cenário político italiano, na medida em que nesse país “os resultados das últimas eleições colocaram os partidos populistas à frente [para uma solução governativa]. E em potencial rota de colisão com a própria Europa”.

Além do destaque relativo à estabilidade política, o HSBC destaca também que as “dinâmicas da dívida portuguesa são mais favoráveis do que as apresentadas por Itália”. O rácio da dívida pública portuguesa encolheu no ano passado, recuando para 125,7% do PIB — resultado, em parte, dos vários reembolsos antecipados feitos ao FMI.

Esta quebra, associada a um forte crescimento da economia, traduz igualmente o maior controlo sobre as contas públicas. O Instituto Nacional de Estatística confirmou que o défice de 2017 (sem o impacto da Caixa Geral de Depósitos) foi de 0,9%, o mais baixo da história da democracia. Em 2016, o défice português tinha ficado nos 2%.

Esta tendência de quebra do défice, que deverá continuar este ano, tem sido bem recebida pelos investidores, mas também pelas agências de notação financeira. Tanto a S&P como a Ficth já retiraram Portugal da categoria “lixo”. Das três grandes, falta agora somente a Moody’s melhorar o rating da dívida soberana portuguesa. A avaliação está marcada para abril.

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