Preços sobem, mas inflação mantém-se controlada

Em março, os preços dispararam face ao mês anterior. O vestuário e calçado deram um importante contributo para esta evolução. Porém, a taxa de inflação média nos últimos 12 meses abrandou.

Os preços subiram 1,9% entre fevereiro e março, o que se traduziu numa aceleração da taxa de variação homóloga da inflação. No entanto, a inflação medida pela taxa de variação acumulada nos últimos 12 meses abrandou, revelam dados publicados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A subida de preços em março em relação ao ano anterior segue-se a uma variação mensal negativa de 0,7%. Março é aliás um mês em que os preços apresentam uma taxa de variação mensal positiva. Em 2017, foi o que aconteceu – entre fevereiro e março os preços cresceram 1,8%.

Segundo o INE, “a classe com maior contributo positivo para a taxa de variação mensal foi a do vestuário e calçado (classe 3), com uma variação mensal de 25,1% (-4,5% no mês anterior e 27,7% em março de 2017)”. Apesar de a época de saldos já não ter um calendário oficial, é habitual as lojas de roupa e calçado entrarem em saldos logo seguir ao Natal, uma opção comercial que mantêm até ao fim de fevereiro. Em março, começam a chegar as novas coleções às lojas, aumentando os preços.

Esta variação mensal nos preços provocou uma aceleração ligeira na taxa de variação homóloga – que compara março de 2018 com março de 2017. Esta taxa passou de 0,6% para 0,7% entre fevereiro e março. Porém, esta trajetória foi insuficiente para provocar um movimento semelhante na taxa de variação média a 12 meses.

Esta passou de 1,3% para 1,2% entre fevereiro e março. Esta é a taxa que compara com a taxa de variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) definida, por exemplo, pelo Governo como objetivo anual no Orçamento do Estado para 2018. Neste documento, o Executivo prevê que a inflação feche o ano de 2018 em 1,4%, o que significa que a inflação está dentro dos parâmetros projetados pelas Finanças.

Numa nota sobre a inflação, o departamento de estudos do Montepio avança que para este ano prevê que “a inflação faça uma pausa na tendência de aceleração observada entre 2015 e 2017, apontando-se, desde a divulgação da estimativa preliminar de março, para uma inflação média anual de 1,2% para 2018“. Os economistas explicam que esta previsão representa “uma revisão em baixa” face à anterior projeção (de 1,6%) e lembram que esta alteração “representa o materializar dos riscos descendentes” já antes identificados e que “agora foram reforçados com os dados de março”.

A equipa liderada pelo economista-chefe Rui Bernardes Serra acrescenta que para 2019 “prevê-se um regresso da inflação às acelerações”. O Montepio espera que a taxa de inflação fique em 1,4%, acima da previsão de 1,2%, mas “um valor também inferior ao que era anteriormente previsto (1,6%)”.

(Notícia atualizada com comentários do departamento de estudos do Montepio)

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