Ryanair envia nova carta aos tripulantes: “Sindicato quer que ganhem salários mais baixos”, diz Michael O’Leary

A lowcost argumenta que as condições de trabalho sob a legislação irlandesa são mais atrativas do que as que são oferecidas com a lei portuguesa.

A Ryanair continua a enviar cartas aos tripulantes de cabine, na sequência da greve de três dias que teve lugar na semana passada, nas bases portuguesas. Desta vez, a companhia aérea irlandesa agradece o apoio da maioria dos tripulantes, que diz não terem aderido a esta greve, e deixa dois avisos. Primeiro, acusa o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) de querer que os trabalhadores ganhem salários mais baixos do que os que ganham atualmente. Segundo, garante que, apesar dos esforços do sindicato, que quer que os trabalhadores baseados em Portugal sejam sujeitos à legislação portuguesa, a Ryanair vai manter os contratos de trabalho à luz da lei irlandesa.

Na carta, datada de 10 de abril e assinada por Eddie Wilson, diretor de pessoal, a Ryanair dirige-se a todos os tripulantes baseados em Portugal e começa por agradecer “o apoio de cada um durante os três dias de perturbações”, o que terá permitido que 90% dos voos agendados fossem cumpridos. Logo de seguida, critica a greve “desnecessária” que foi convocada pelo SNPVAC. “A comunicação do sindicato durante a greve foi confusa e parece que reivindicavam contratos de trabalho portugueses. Mas os contratos portugueses não são do vosso interesse“, pode ler-se na carta, a que o ECO teve acesso.

"Não estamos dispostos a celebrar contratos portugueses até que nos digam que preferem salários mais baixos, impostos mais altos e licenças de maternidade mais curtas, que os contratos portugueses vos imporiam.”

Ryanair

E acrescenta: “Desde que a regulação da Segurança Social mudou, em 2012, todos os tripulantes portugueses tiveram a opção de mudar para a Segurança Social portuguesa, mas nenhum quis avançar com esta opção”. Isto porque, argumenta a lowcost, as condições de trabalho sob a legislação irlandesa são mais atrativas: “a taxa efetiva de imposto é mais baixa, o salário é mais alto, a licença de maternidade é o dobro da portuguesa, o abono de família é seis vezes mais elevada do que em Portugal”.

A empresa adianta ainda que tem marcada uma reunião com o SNPVAC para o dia 20 de abril e mostra-se aberta a incluir elementos da legislação portuguesa que sejam benéficos os tripulantes da Ryanair. Mas é taxativa: “Não estamos dispostos a celebrar contratos portugueses até que nos digam que preferem salários mais baixos, impostos mais altos e licenças de maternidade mais curtas, que os contratos portugueses vos imporiam”.

E resume: “O SNPVAC quer que ganhem salários mais baixos e que tenham menos benefícios“. Assim, garante, ainda que vá continuar as negociações com o SNPVAC, vai “manter os contratos de trabalho irlandeses onde for benéfico para os nossos tripulantes baseados em Portugal”.

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