Desafios do Eurogrupo são “grandes na substância e na forma”

  • Lusa
  • 21 Abril 2018

Mário Centeno deu uma entrevista à agência Lusa para assinalar os 100 dias à frente do Eurogrupo, o fórum de ministros das Finanças dos países da zona euro.

O ministro das Finanças considerou hoje, prestes a completar 100 dias na liderança do Eurogrupo, que os desafios que tem pela frente são “grandes na substância e na forma”, mas mostrou-se encorajado pela receção positiva às suas propostas.

“Os desafios são grandes na substância e na forma como tem de se coordenar visões muito diversas, mas o objetivo é contar com todos e com todas as opiniões”, disse Mário Centeno em entrevista à Lusa para assinalar os 100 dias à frente do fórum de ministros das Finanças dos países da zona euro, considerando que “a concretização da união bancárias nas suas diferentes vertentes, e o início da discussão sobre a capacidade orçamental serão, nas dimensões política e intelectual, um desafio muito interessante“.

Para Centeno, o tom destes primeiros cem dias é claramente positivo: “Faço um balanço muito positivo. Temos conseguido apresentar um conjunto de propostas e de dinâmica no funcionamento do Eurogrupo, que se irá perceber que é distinto”, por exemplo no convite a académicos para fazerem apresentações aos ministros.

Questionado sobre o impacto que o conflito na Síria pode ter para o crescimento da zona euro, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta esta semana em duas décimas para 2,4%, o presidente do Eurogrupo admitiu que “existem riscos externos para o crescimento”, mas salientou que “até este momento [o conflito na Síria] não tem uma materialização clara no crescimento da zona euro“.

As indicações apontam para a manutenção deste crescimento, que já dura há 20 trimestres consecutivos, salienta o ministro das Finanças de Portugal, que usa a Síria, juntamente com a saída do Reino Unido da União Europeia, como exemplos para defender que “é precisamente para fazer face a estes desafios” e aumentar a resistência “às crises que a tarefa do Eurogrupo de completar a União Económica e Monetária deve ser encarada ainda de forma mais clara”.

Sobre o facto de estar num dos poucos governos de esquerda na Europa, apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP, e, ao mesmo tempo, ser o rosto das regras orçamentais de Bruxelas, Centeno disse que “essa dicotomia existe mais na maneira como as pessoas a colocam do que na realidade”.

O que importa, vincou, é o programa com que o PS se apresentou a eleições: “Temos um Programa de Governo que assenta num exercício macroeconómico e orçamental que foi apresentado antes das eleições e que temos estado a cumprir à risca; não nos tornámos mais nem menos do que aquilo que estava nesse programa”, afirmou o ministro das Finanças.

O objetivo, acrescentou, é manter “uma certa linha que conjuga o crescimento com o equilíbrio das contas públicas, e é exatamente isso que temos proposto no Programa de Estabilidade”.

Sobre a cimeira de junho, para apresentar o plano e o calendário da união bancária, Centeno admitiu que “é um momento importante”, mas lembrou que o verão também deverá ficar marcado pelo “processo de saída da Grécia [do programa de assistência financeira], cujo faseamento tem sido um sucesso”.

Eleito em dezembro de 2017 para a liderança do fórum informal de ministros da zona euro, Centeno recebeu o “testemunho” do seu antecessor, o holandês Jeroen Dijsselbloem, em 12 de janeiro.

Mário Centeno, o terceiro presidente do Eurogrupo (depois do luxemburguês Jean-Claude Juncker e de Jeroen Dijsselbloem), foi eleito para um mandato de dois anos e meio, até meados de 2020.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Desafios do Eurogrupo são “grandes na substância e na forma”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião