BPI admite sair de Angola através da colocação do BFA em bolsa

O presidente do BPI diz que o banco está a trabalhar num IPO da posição que detém no BFA. Sobre o Novo Banco acredita que "as coisas vão correr melhor do que o mercado espera".

Pablo Forero, presidente executivo do BPI, que esta tarde apresentou os resultados referentes ao primeiro trimestre do ano, com lucros de 210 milhões de euros adianta que “este foi um bom trimestre para o BPI”.

Para este valor muito contribuiu o lucro líquido da atividade registada em Portugal, que alcançou os 118 milhões de euros, um desempenho que Forero explicou que se fica a “dever à forte atividade comercial e reflete a atividade económica em Portugal, mas sobretudo a boa ação comercial da equipa do BPI”.

O líder do BPI apresentou os resultados do primeiro trimestre do banco, em conferência de imprensa, no Porto.

Já sobre Angola, nomeadamente sobre a intenção do BPI em reduzir o capital no BFA, Pablo Forero adianta: “Estamos a preparar um IPO com as nossas ações no capital do BFA”. O responsável sublinhou que “ainda” estão “a trabalhar no processo” e, por isso, Forero não sabe qual a percentagem que vão alienar. “Ainda não sabemos a percentagem com que vamos ficar em Angola e se vamos ficar”, disse. Recorde-se que o BPI tem agora uma participação de 48,1% no BFA, isto depois de te sido obrigado a alienar 2%, por imposição do Banco Central Europeu, que considerava demasiado elevado o nível de exposição da instituição a Angola.

Estamos a preparar um IPO com as nossas ações no capital do BFA. Ainda não sabemos a percentagem com que vamos ficar em Angola e se vamos ficar.

Pablo Forero

CEO do BPI

Mas o BCE mantém uma recomendação para o banco português diminuir o seu peso no banco angolano, embora não tenha indicado qual a percentagem máxima de capital que o BPI pode deter, nem qual o timing em que esta operação se deve materializar. “Não sabemos o que pensa a Unitel a este propósito”, disse Pablo Forero. E acrescentou: “São operações que demoram muito tempo”.

E depois de o ministro das Finanças não ter fechado a porta à possibilidade de o Novo Banco poder vir a necessitar de uma nova ajuda este ano — “não seria tão corajoso para fazer essa previsão”, disse Mário Centeno –, o ECO questionou Forero sobre essa possibilidade. O CEO do BPI foi taxativo: “Temos de fazer uma contribuição de 14 milhões de euros por ano para o Fundo de Resolução e temos que a pagar até 2046. Se as coisas correrem bem, terminam aí. Se correm mal irão até 2050, eventualmente”.

Ainda assim, Forero adianta: “Acho que as coisas vão correr melhor do que o mercado espera. Este esquema é desenhado pelo Governo e é assim que vai ser”.

Quanto à política de distribuição de dividendos do banco, Pablo Forero disse que o BPI está a trabalhar para que o banco possa distribuir dividendos aos acionistas mas sem avançar se sairão já dos resultados deste ano. “Estamos a trabalhar precisamente para que o banco ganhe mais dinheiro e, portanto, seja possível distribuir dividendos quando for possível. Não há uma decisão tomada, estamos a trabalhar”, disse.

(Notícia atualizada com mais informação)

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