Ministério Público já tem dados fiscais e bancários de Pinho e Mexia

  • ECO
  • 21 Abril 2018

O DCIAP já terá na sua posse as declarações de impostos e os extratos bancários do antigo ministro Manuel Pinho e do líder da EDP, António Mexia. Investigadores também analisam viagens feitas aos EUA.

O Ministério Público já terá em sua posse os dados fiscais e bancários do ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, e também do presidente executivo da EDP, António Mexia. A notícia é avançada este sábado pelo semanário Expresso (acesso pago). De acordo com o jornal, estes elementos chegaram ao DCIAP no início deste mês de abril. Isto depois de, no ano passado, o juiz de instrução criminal, Ivo Rosa, ter recusado a obtenção dos mesmos.

Mas, agora, houve novos desenvolvimentos na investigação. E as suspeitas sobre o antigo ministro do Governo de José Sócrates adensam-se. Por um lado, Manuel Pinho terá comprado um apartamento em Nova Iorque através de uma sociedade offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Por outro, através de outra empresa do mesmo tipo e com sede no Panamá, Pinho terá recebido mais de um milhão de euros do “saco azul” do Grupo Espírito Santo (GES).

O chamado “caso EDP” investiga decisões tomadas em 2007, de remuneração da energética nacional com as rendas dos CMEC após entrada em vigor do mercado liberalizado de energia e, também, de extensão das concessões das barragens da EDP, com o facto de Manuel Pinho ter ido lecionar para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, após um alegado pagamento de 1,2 milhões de euros da EDP àquela instituição.

Além das declarações de impostos e extratos bancários do ex-ministro e do gestor da EDP, o semanário garante que o Ministério Público quer analisar as viagens feitas aos Estados Unidos. Um despacho datado de 10 de abril pede à TAP e ao SEF dados das viagens feitas àquele país, que terão sido feiras não só por Manuel Pinho como por António Mexia e, também, João Manso Neto, o líder da EDP Renováveis que já é arguido neste processo.

Este é o mesmo caso que, a partir desta semana, passou a envolver também Ricardo Salgado, o antigo líder do GES, formalmente constituído arguido esta sexta-feira. A notícia tinha sido avançada em primeira mão pelo jornal digital Observador.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Ministério Público já tem dados fiscais e bancários de Pinho e Mexia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião