Emissão agrupada de obrigações para PME avança em 2019

AIP lançou um projeto de "Soluções de Financiamento para PME". Entre os instrumentos previstos está a emissão agrupada de obrigações de PME e um instrumento de suporte à fusão e à aquisição de PME.

Empenhada na valorização da capitalização das empresas nacionais, a Associação Industrial Portuguesa (AIP) lançou um novo projeto focado em “Soluções de Financiamento para Pequenas e Médias Empresas (PME)”. Entre os instrumentos previstos está uma “ideia antiga” que será “posta no terreno” em 2019: a emissão agrupada de obrigações de PME para que se potencie e facilite o acesso às empresas por parte dos investidores internacionais.

“Sabemos que as PME têm um prémio de risco associado”, começa por explicar ao ECO o diretor de Economia e Inovação da AIP. Segundo Paulo Caldas, o agrupamento dessas empresas acabará por diluir o risco e, portanto, facilitar o seu acesso ao financiamento, daí a importância deste instrumento.

A AIP procederá, neste sentido, à seleção das empresas e, em concertação com as entidades competentes, colocará, por fim, no terreno essa “ideia antiga”. A partir de maio vai começar a ser feito um levantamento no terreno, para aferir, em simultâneo, as necessidades das empresas, mas também a oferta existente. Um trabalho “inédito”, segundo Paulo Caldas, que será levado a cabo pela consultora PwC. “Pela primeira vez vai ser estudo o gap entre estes instrumentos e a procura”, acrescentou o economista ao ECO.

Depois de concluído este estudo da PwC será possível avançar com a primeira emissão agrupada de emissões para PME, algo que deverá acontecer só em 2019. Recorde-se que a ideia de usar este tipo de instrumento de capitalização já foi apresentado no Governo de Pedro Passos Coelho e voltou a ser reiterada a sua importância no programa Capitalizar, lançado pelo Executivo de António Costa, em 2016. “A canalização de poupanças nacionais para as empresas portuguesas através do mercado de capitais é prejudicada pela inexistência de produtos que possam ser adquiridos pelos fundos de investimento harmonizados que atuam no nosso país e que sejam especialmente destinados ao financiamento das pequenas e médias empresas”, escreveu o ministro-adjunto, Pedro Siza Vieira, no ECO, em novembro de 2017. “O acesso indireto ao mercado de capitais é, por isso, decisivo para o tecido empresarial português”, concluiu.

Para combater o “endividamento excessivo” e a subcapitalização das PME portuguesas a AIP, além da emissão agrupada de obrigações, vai ainda criar um instrumento de suporte à fusão e à aquisição de PME.

Por outro lado, no que diz respeito aos empresários, Paulo Caldas aponta um “défice” da capacidade de acesso às linhas de financiamento disponíveis, justificando assim a aposta da AIP num guião de boas práticas para as conquistar. Além disso, está prevista a criação de uma ferramenta online de autodiagnóstico para as empresas, de uma ferramenta de gestão e de corporate governance e de um centro de suporte para ajudar na navegação da primeira e encaminhar os empresários para as soluções ou combinações de soluções de financiamento mais adequadas.

Estas soluções, que contam com o apoio do Portugal 2020, receberam o financiamento de quase um milhão de euros, no âmbito do Apoio a Ações Coletivas do Sistema de Incentivos.

À semelhança destas últimas ferramentas agora lançadas pelo AIP, também o IAPMEI já disponibiliza um instrumento online de autodiagnóstico, que permite às empresas fazerem de uma forma simples e automática a avaliação da sua situação económica e financeira. Em 2015, também a Câmara de Comércio e Indústria do Centro em parceria com a União das Associações Empresariais da Região Norte lançou uma ferramenta de avaliação da eficiência operacional empresarial, a Eficope, que permite identificar estratégias práticas e resultados.

“A nossa tem uma particularidade”, realça, no entanto, Paulo Caldas. Segundo o representante da AIP, a plataforma agora anunciada vai além da análise contabilística, permitindo a aferição dos “mecanismos de gestão”.

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