Jornal digital Observador vai ter conteúdos especiais para assinantes

O Observador é o jornal português que mais recentemente anunciou programa de subscrições digitais pagas, tendência no setor que permite aumentar receitas. Mensalidade começa nos 7,90 euros.

O Observador foi criado em maio de 2014.Flávio Nunes/ECO

O jornal digital português Observador anunciou esta quinta-feira que vai passar a fechar alguns conteúdos a assinantes. O serviço chama-se Observador Premium e, através dele, só os leitores que façam uma subscrição paga passarão a ter acesso aos conteúdos mais aprofundados, especiais ou artigos de opinião. A modalidade é conhecida no mundo da imprensa digital como paywall — a do Observador arranca a 2 de maio.

Até aqui, todos os conteúdos do Observador eram de acesso livre e ilimitado, realidade que agora deixa de ser assim. Os leitores que não sejam assinantes podem aceder a sete conteúdos premium gratuitamente, todos os meses, numa espécie de “crédito mensal” que já existe noutros jornais, como o Público. “Numa primeira fase, o Observador vai considerar Premium a generalidade dos artigos das secções Opinião, Explicadores, Fact-Check e Especiais. Todos esses artigos estarão devidamente assinalados, de forma bem visível”, indica o jornal.

O custo da assinatura do Observador começa nos 7,90 euros por mês, ou 79,90 euros por ano. A assinatura é válida para um utilizador com login em três dispositivos. Para assinantes mensais, os dois primeiros meses custam apenas um euro. Para assinantes anuais, o primeiro ano fica a 39,90 euros. Há ainda uma modalidade para grupos, que permite três utilizadores e nove dispositivos ligados em simultâneo. Os preços começam nos 15,90 euros mensais ou 159,90 euros por ano, havendo igualmente um desconto para os dois primeiros meses (dois euros) ou para o primeiro ano, dependendo da modalidade subscrita.

O recurso à paywall é uma tendência no setor da imprensa digital. Em Portugal, a maioria dos jornais de referência já introduziu modelos de acesso por subscrição. Lá fora, são exemplos o The Wall Street Journal, o The New York Times ou o Financial Times. Isto permite aos jornais irem buscar receitas diretamente aos leitores, gerando uma nova fonte de rendimentos para além da publicidade, que é a mais comum.

Segundo dados da própria empresa, o Observador conta com cinco milhões de leitores mensais. “A grande maioria dos artigos continuará a ser de acesso livre e irrestrito”, garante ainda o jornal. O Observador foi lançado em maio de 2014 por António Carrapatoso, Duarte Schmidt Lino, José Manuel Fernandes e Rui Ramos. Tem como diretor executivo o jornalista Miguel Pinheiro.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

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António Costa
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