Pedrógão: Auditoria da Proteção Civil aponta para documentos “apagados” ou “destruídos”

  • ECO
  • 2 Maio 2018

Auditoria interna da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), documento que o Governo nunca revelou, aponta para falhas graves ao combate inicial e diz que não há provas documentais.

Já tinham sido publicitados no site do Governo dois relatórios ao incêndio de Pedrógão Grande, mas faltava conhecer em detalhe a auditoria interna da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) ao desempenho dos seus agentes. O documento — entregue ao Governo em novembro, mas mantido na gaveta — aponta falhas graves na organização inicial do combate ao incêndio e indica ainda que os auditores se depararam com a inexistência de provas documentais, escreve o jornal Público esta quarta-feira [acesso condicionado]. Governo diz que documento estava em segredo de justiça.

Os auditores internos falam em “limitações na obtenção de elementos de prova”, informação que “pode tornar-se vital” para a avaliação posterior, nomeadamente ao nível da responsabilidade disciplinar e criminal. Em causa estão todos os documentos produzidos no posto de comando de um incêndio e as informações das três células (logística, planeamento e operações).

“Não foi possível aceder a um único SITAC [quadro de situação táctica], a um único Quadro de Informação de Células, ou a um PEA [Plano Estratégico de Acção]”, diz o documento, citado pelo Público. “Todos estes documentos haviam sido apagados dos quadros das VCOC e VPCC [viaturas de comunicação], ou destruídos os documentos em papel que os suportaram”, acrescenta.

O primeiro posto de comando do incêndio foi uma mesa, com quatro cadeiras e um computador pessoal emprestado por um dos bombeiros “com o Google Earth aberto”, indica ainda o relatório.

O Governo já reagiu, entretanto, à notícia avançada pelo Público. Em comunicado enviado às redações, o Ministério da Administração Interna refere que “é falsa a informação de que o Governo tenha escondido o relatório desde novembro“. E esclarece: “os documentos a que se refere a notícia foram remetidos ao Ministério Público, junto da Comarca de Leiria, no dia 20 de novembro, para efeitos de investigação, estando assim abrangidos pelo segredo de justiça”.

Notícia atualizada às 10h07 com reação do Ministério da Administração Interna.

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