Meo tem novo tarifário modular, uma tendência no setor. Tem vantagens?

A operadora da Altice lançou um tarifário modular, à semelhança do que a Nowo fez em 2016. Quanto custa? E que vantagens e detalhes têm estas ofertas?

Os tarifários modulares são mais personalizáveis e permitem aos clientes desenhar a oferta que mais se alinha com as suas necessidades.Pixabay

A Meo tem um novo tarifário modular, o MEO by, que permite aos clientes escolherem exatamente o tipo de serviços que pretendem incluir no pacote. O anúncio foi feito no Porto e a solução foi considerada pelo presidente executivo, Alexandre Fonseca, “mais um passo para transformar o setor de telecomunicações” em Portugal. Que novidades traz este tarifário introduzido pela operadora da Altice? E vale mesmo a pena face às alternativas que já existem?

Numa nota de apresentação enviada à imprensa, a Altice Portugal indica que o MEO by é “a primeira oferta de telecomunicações totalmente digital, modular e sem fidelização”. Em causa, “mais de 16.000 combinações” de serviços para que o pacote subscrito pelo cliente seja o mais personalizado possível. A grande novidade é o cliente poder alterar os serviços que subscreve a cada 30 dias, diretamente na área de cliente e sem penalizações.

A personalização de ofertas é uma tendência cada vez maior no setor em Portugal, como escreveu o ECO em meados de fevereiro. O tiro de partida foi dado quando a Cabovisão apresentou o rebranding e passou a chama-se Nowo. Na altura, em setembro de 2016, lançou o Meu Nowo, uma espécie de simulador que permite aos clientes desenharem o seu próprio pacote de telecomunicações, com algum detalhe.

Instalação “sem fidelização” custa 100 euros

No caso do Meo by, o funcionamento do simulador é semelhante. Mas será que é realmente “sem fidelização”? Depende da modalidade escolhida pelo cliente e de quanto está disposto a desembolsar pela instalação do serviço.

A subscrição do Meo by sem qualquer período vinculativo para o cliente custa 100 euros de instalação, mais a mensalidade que começa nos 24,99 euros. O custo da instalação cai para 75 euros com uma fidelização de seis meses e 50 euros com uma fidelização de um ano. Caso o cliente opte pela fidelização de dois anos, não só a instalação é totalmente gratuita como o preço da mensalidade base cai para 19,99 euros.

Ainda assim, é menos do que na concorrência. Olhando para a oferta modular da Nowo, a instalação de um serviço sem fidelização pode chegar aos 150 euros. Na Vodafone, a instalação de um serviço deste género, com televisão, internet e voz, é de 120 euros — pode chegar aos 240 euros no caso dos pacotes 5P — isto é, com todos os serviços, do telefone à internet, da televisão ao telemóvel, contando ainda com um ponto de acesso portátil. No caso da Nos, um período de fidelização de 24 meses pressupõe a oferta da instalação, “no valor total de 400 euros”.

Pacote mais básico por cerca de 40 euros

O ECO fez algumas simulações com o MEO by e concluiu que um pacote mais básico com internet, televisão, telemóvel e telefone, com vínculo de dois anos e oferta da instalação, poderá ficar a 38,49 euros. O pacote inclui internet até 3 Mbps, televisão sem box com 120 canais, telefone com chamadas para a rede fixa à noite e ao fim de semana e telefone com 200 minutos de chamadas e 200 SMS gratuitas, mas sem internet móvel. Somar 200 MB de tráfego custa três euros por mês, puxando o preço para os 42,48 euros.

Comparando o MEO by com a oferta da Nowo, que são pacotes modulares com características relativamente semelhantes, o mais básico com estes quatro serviços fica a 30,99 euros no Meu Nowo, sendo ainda oferecidas as duas primeiras mensalidades. A fidelização é de 24 meses.

Por este valor, a internet tem uma velocidade superior (100 Mbps é o mínimo garantido pela operadora), telemóvel com 500 minutos de chamadas ou SMS e 250 MB de dados móveis, televisão com 90 canais e telefone fixo com 9.000 minutos para a rede fixa, mais 1.000 minutos para 50 destinos internacionais, indica a empresa. Contudo, há que ter em conta que a cobertura da Nowo em Portugal é significativamente inferior.

A Nos, no pacote UMA com os quatro serviços, oferece duas mensalidades e a instalação por 56,99 euros por mês. No entanto, o pacote inclui uma série de benefícios, como a box Ultra HD 4k, 500 horas de gravação e 177 canais, aplicação para o telemóvel e 170 euros em canais premium e conteúdos. A internet também é superior em velocidade ao pacote base da Meo (são 100 Mbps), pelo que, apesar das contas, não é uma oferta diretamente comparável com as anteriores. Além disso, o serviço móvel conta com 500 MB de dados. Estes fatores podem explicar o preço superior.

A mesma premissa aplica-se aos pacotes da Vodafone com quatro serviços, que também não permitem aproximar a oferta mínima à oferta base dos tarifários modulares da Meo e da Nowo (por exemplo, o tráfego de dados móveis começa nos 500 MB). A mensalidade base é de 56,90 euros com fidelização de dois anos, com oferta de um vale de 25 euros para gastar no videoclube.

Tanto os preços da Nos como os da Vodafone estão relativamente em linha com os preços praticados pela Meo neste tipo de pacotes já definidos. O M4O, por exemplo, começa nos 56,99 euros por mês, variando igualmente nas características dos serviços e nas ofertas feiras aos clientes.

Conclusões?

As ofertas modulares trazem alguma novidade ao setor das telecomunicações, até por permitirem subscrever apenas os serviços que se quer, com as características que se quer. Concretamente, a da Meo tem o detalhe de permitir alterações a cada 30 dias, sem penalizações. Mas são diferentes dos pacotes tradicionais, quer no funcionamento, quer na substância. No MEO by e no Meu Nowo, é possível desenhar algumas ofertas que não são contempladas pelos tarifários base já definidos. A Vodafone tem ainda um tarifário móvel deste género, que é o Vodafone You.

Contudo, os pacotes “sem fidelização”, que surgiram depois das recentes alterações à lei das comunicações eletrónicas, continuam a ter custos de instalação que poderão afastar alguns clientes. O tema é relevante e regressou recentemente à agenda política, pois existem propostas na calha da comissão de economia para serem discutidas e que pretendem “obrigar” as operadoras a terem pacotes sem fidelização e sem custos mais avultados para os clientes.

Por seu lado, as empresas do setor argumentam que a fidelização permite diluir no tempo os custos que têm com o equipamento, o serviço de instalação ou a aquisição de conteúdos a preços internacionais, por exemplo.

Posto isto, é o cliente quem tem mesmo de pesquisar qual a operadora e o serviço que lhe é mais vantajoso ao nível dos custos, pois a oferta é cada vez maior e mais detalhada. Talvez, a melhor hipótese ainda será usar um comparador de preços, como é o caso da plataforma ComparaJá.

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