Desempregados há mais de dois anos explicam dois terços da redução do desemprego

Quanto mais tempo uma pessoa está fora do mercado de trabalho, mais difícil é regressar. Esta é a regra, mas 2017 foi a exceção. Os desempregados há mais de dois anos surpreenderam.

As pessoas sem trabalho há mais de dois anos foram determinantes para a redução do desemprego no ano passado. Ao contrário do que acontece habitualmente, os desempregados de muito longa duração explicaram mais de dois terços da redução do desemprego.

A conclusão faz parte de um estudo de economistas do Banco de Portugal e foi publicado esta quinta-feira, juntamente com o Boletim Económico.

Neste estudo, os economistas avançam que o número de desempregados de muito longa duração (pessoas sem trabalho há dois anos ou mais) caiu 28,5%, “contribuindo de forma significativa (-13,2 pontos percentuais) para a queda de 19,2% do desemprego total no conjunto do ano”. Uma redução “particularmente marcada a partir do segundo trimestre de 2017”.

Deste grupo fazem parte normalmente pessoas mais velhas e com níveis de escolaridade mais baixos. Por isso, “as taxas de transição para o emprego (são) mais baixas“, escrevem os economistas.

No entanto, os economistas apuraram que os desempregados de muito longa duração que encontraram trabalho apresentavam uma “percentagem relativamente elevada de indivíduos com idade inferior a 35 anos”. Neste universo estavam também menos pessoas com baixa escolaridade.

Apesar de terem encontrado trabalho, a maioria destas pessoas voltou ao mercado de trabalho com um contrato com termo (51,3%).

Embora a queda do desemprego de muito longa duração tenha sido um aspeto “marcante” da evolução do mercado de trabalho em 2017, este continua a ser muito elevado (42%).

Os economistas do Banco de Portugal defendem assim que políticas ativas de emprego dirigidas a este grupo seriam importantes para reduzir riscos de pobreza e a exposição a problemas de saúde, ambos com impacto negativo da economia.

Mais qualificações, mais produtividade

Um outro estudo do Banco de Portugal, também publicado com o Boletim Económico, mostra que existe uma “correlação positiva” entre as qualificações dos trabalhadores e a produtividade destes.

No entanto, quando se observa o que aconteceu entre 1998 e 2015 é possível verificar que o setor com mais peso na economia — o dos serviços — teve ganhos reduzidos de produtividade. Na agricultura — um setor com pouca expressão na economia — os progressos na escolarização foram “diminutos”, mas a produtividade aumentou 46,1%.

O estudo dos economistas do banco central olha isoladamente para o fator humano, deixando de fora outros fatores que afetam a produtividade, tais como o fator capital, o funcionamento das instituições e até a adequação dos trabalhadores às funções que desempenham.

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