Reguladores fazem ultimato. Montepio antecipa mudanças para diferenciar marcas

  • Rita Atalaia
  • 16 Maio 2018

Os reguladores exigiram ao banco a entrega de um plano de diferenciação das marcas até ao final do mês. Ao ECO, o conselho de administração garante que os trabalhos estão quase concluídos.

O Montepio tem até ao final do mês para apresentar um plano de diferenciação das marcas do banco e da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). A exigência feita numa carta enviada pelos reguladores à instituição liderada por Carlos Tavares tem como objetivo evitar que os clientes que vão ao balcão confundam os produtos vendidos pelas duas entidades. Este plano está a ser preparado por uma equipa interna, cujos trabalhos estão quase concluídos, garantiu o conselho de administração do Montepio ao ECO.

“Como o conselho de administração referiu desde o primeiro dia, a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), em articulação com a Associação Mutualista, está a definir – claramente – quer o tipo de produtos mutualistas a distribuir na rede da CEMG, quer as condições da sua distribuição”, afirma o conselho de administração liderado por Carlos Tavares ao ECO.

Estas condições incluem “a necessidade de formação adequada dos colaboradores autorizados a vender esses produtos, e informação completa, clara e rigorosa aos clientes, de modo a evitar qualquer possibilidade de confusão entre os produtos bancários e não bancários distribuídos pela CEMG”, refere o banco.

A CMVM e o Banco de Portugal enviaram uma carta à CEMG exigindo que o banco liderado por Carlos Tavares apresente um plano de separação de marcas entre a instituição e a Associação Mutualista, avançou a RTP1. Neste plano deve estar explicado como vai separar os produtos, diferenciar os riscos e ainda como vai fiscalizar as medidas. Em causa estão os produtos que escaparam à supervisão dos reguladores.

"Tem vindo a funcionar um grupo de trabalho conjunto, encarregado de estabelecer estas condições e que está em vias de concluir os respetivos trabalhos. Refira-se que existe completa sintonia entre os pontos de vista dos supervisores e do Conselho de Administração da CEMG.”

Conselho de administração do Montepio

Este plano está a ser desenvolvido por uma equipa interna do Montepio, que ficará também encarregue de perceber se será necessário adotar mais medidas. Caberá ao responsável de compliance e auditoria interna da instituição financeira acompanhar esta avaliação e determinar se o banco terá de dar mais passos para separar as marcas. E o conselho de administração garante que os trabalhos estão quase concluídos.

“Tem vindo a funcionar um grupo de trabalho conjunto, encarregado de estabelecer estas condições e que está em vias de concluir os respetivos trabalhos. Refira-se que existe completa sintonia entre os pontos de vista dos supervisores e do Conselho de Administração da CEMG”, refere o Montepio.

Montepio pode mudar de nome, mas marca fica

Num encontro com jornalistas esta terça-feira, Carlos Tavares admitiu a possibilidade de a instituição que lidera poder mudar de nome, mas que a marca Montepio em si não é para cair. “Pode mudar de nome, mas mantém a marca Montepio”, afirmou o gestor, realçando que as pessoas perdem-se no meio das siglas CEMG e AMMG e que preferem um nome mais compacto.

A mudança de nome do Montepio tem estado em cima da mesa nos últimos anos, com os reguladores a apelarem para uma maior diferenciação entre o banco e o seu único acionista, a Associação Mutualista. Após a entrada de Carlos Tavares para a administração do banco Montepio já foram dados passos no sentido de uma maior distinção entre os produtos das duas instituições, nomeadamente a mudança de nome do Capital Certo — um dos produtos financeiros mais populares da Mutualista — para Poupança Mutualista.

A comercialização do Capital Certo foi suspensa pelo Montepio desde fevereiro, ainda durante a gestão de José Félix Morgado. A nova administração liderada por Carlos Tavares, que entrou em funções em meados de março, decidiu manter essa suspensão. Mas o presidente do Montepio já antecipou que a comercialização deve ser retomada no início do próximo ano.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Reguladores fazem ultimato. Montepio antecipa mudanças para diferenciar marcas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião