Associação Mutualista “não vai procurar ativamente” novo comprador para o Montepio Seguros

  • Rita Atalaia
  • 17 Maio 2018

A Associação Mutualista não vai procurar, num futuro próximo, possíveis interessados para vender os seguros do Montepio. Isto depois de o regulador ter chumbado o negócio com os chineses da CEFC.

A Associação Mutualista Montepio Geral (MGAM) não desistiu de vender, mas não vai procurar ativamente um novo comprador para o ramo segurador do Montepio. A decisão é tomada pela entidade liderada por Tomás Correia depois de o regulador dos seguros, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), ter chumbado a proposta apresentada pelos chineses da CEFC China Energy para comprarem o Montepio Seguros.

“Tal como não sucedeu com a oportunidade que foi tornada pública (a da CEFC), não sucederá no futuro próximo que o MGAM procure ativamente parceiros para as áreas seguradoras”, afirma fonte oficial da Associação Mutualista ao ECO. Ou seja, não tentará vender o ramo segurador do Montepio nos próximos tempos, o que não invalida que possa vir a receber propostas de possíveis compradores.

"Tal como não sucedeu com a oportunidade que foi tornada pública (a da CEFC), não sucederá no futuro próximo que o MGAM procure ativamente parceiros para as áreas seguradoras.”

Fonte oficial da Associação Mutualista

Sobre a decisão do regulador relativamente à proposta do grupo chinês para ficar com 60% do capital do ramo segurador, a entidade liderada por Tomás Correia prefere não fazer mais comentários, dizendo apenas que “compete ao interessado em subscrever o capital instruir o processo junto da ASF. Foi o que fez a CEFC. A deliberação da ASF foi clara”.

Foi no conselho de administração de 10 de maio que o regulador decidiu chumbar a compra do Montepio Seguros pela CEFC China Energy por “considerar não instruída a comunicação prévia da CEFC China Energy Company Limited, e do Shanghai Huaxin Group (Hong Kong) Limited, para aquisição de participação qualificada na Montepio Seguros, ficando prejudicada a sua análise”.

Tomás Correia já tinha afirmado que, mesmo obtendo a aprovação da ASF, este negócio não devia avançar. “Não sei se virão a estar reunidas as condições, ou não”, disse o presidente da Associação Mutualista, salientando que “se o negócio fosse olhado por nós como um negócio para concretizar, que nos tivéssemos a certeza que se ia fazer, nós desde setembro já tínhamos levado o negócio ao conselho geral com uma proposta para definir em definitivo o esquema da participação”.

Não é o primeiro negócio que os chineses da CEFC veem anulado. Em abril, a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu pôr termo à negociação que decorria com a empresa para a venda da petrolífera Partex “face à incapacidade desta empresa em as esclarecer cabalmente junto da Fundação”, explicou então a entidade. O ECO também tentou contactar várias vezes a CEFC, mas até agora não foi possível.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Associação Mutualista “não vai procurar ativamente” novo comprador para o Montepio Seguros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião