Trump passa rasteira às bolsas. EDP e BCP tropeçam e arrastam Lisboa

As quedas das ações da elétrica e do banco foram as principais responsáveis pela desvalorização do PSI-20, num dia marcado pelo receio dos investidores perante mais sinais negativos de Trump.

O sentimento negativo voltou a imperar na bolsa nacional. Depois de sofrer a maior queda dos últimos dois meses na quarta-feira, o PSI-20 desvalorizou pela segunda sessão. À semelhança dos pares europeus, o índice português não resistiu a mais uma rasteira de Donald Trump que recuou nas negociações com a Coreia do Norte e deu sinais de novos planos protecionistas dos EUA. Em Lisboa, a EDP e o BCP não resistiram ao golpe infligido pelo presidente norte-americano, arrastando o PSI-20 consigo.

Na praça lisboeta, o PSI-20 terminou a sessão com uma desvalorização de 0,67%, para os 5.662 pontos, perdas que ficaram em linha com o resto da Europa. O índice Stoxx 600 que agrega as principais capitalizações bolsistas do Velho Continente recuou 0,45%.

“O mercado abriu hoje em alta em reação às minutas da FED, mas acaba por inverter completamente com uma nova ‘bomba’ vinda dos EUA. Os EUA dizem poder cancelar a reunião com a Coreia do Norte, agendada para 12 de junho, levando os mercados a colapsarem com receios em relação a um confronto nuclear e a mais sanções comerciais entre os países”, afirmou Carla Maia Santos da XTB pouco antes do fecho da sessão bolsista desta quinta-feira.

No PSI-20 apenas cinco títulos escaparam ao vermelho, mas a EDP e o BCP e foram os principais responsáveis pela desvalorização do índice bolsista nacional.

As ações do BCP recuaram 1,78%, para os 27,62 cêntimos, acompanhando o rumo dos pares europeus. Já as ações da EDP perderam 2,01%, para os 3,406 euros. Essa queda aconteceu no dia em que dados da ERSE indicam que, em março, a EDP voltou a perder quota de mercado em termos do número de clientes para a concorrência — Endesa e Iberdrola — no mercado livre de eletricidade.

O sentimento negativo foi acompanhado pela sua participada EDP Renováveis que assistiu a uma desvalorização de 1,04% das suas ações, para os 8,06 euros.

Nota negativa também para os títulos dos CTT que protagonizaram uma desvalorização de 0,76%, para os 2,892 euros, depois de na quarta-feira a Anacom ter reportado que o tráfego postal desceu 5% em 2017, contribuindo assim para uma descida acumulada desde 2013 de 15,90%, fundamentalmente devido à “substituição da utilização das comunicações postais por comunicações eletrónicas”.

Entre as retalhistas, rumos distintos. A Sonae seguiu o sentimento negativo do índice, com as suas ações a perderem 1,04%, para os 1,14 euros. Já a Jerónimo Martins foi o destaque positivo da sessão. As suas ações lideraram nos ganhos com uma valorização de 1,09%, para os 13,91 euros.

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