Dívida pública volta a ultrapassar os 250 mil milhões de euros em abril

  • Juliana Nogueira Santos
  • 1 Junho 2018

A dívida pública nacional aumentou mais de quatro mil milhões de euros em abril, atingindo assim o valor mais alto desde agosto do ano passado.

A dívida pública nacional atingiu, em abril de 2018, 250 mil milhões de euros, o valor mais alto desde agosto do ano passado. Segundo os dados do Banco de Portugal, e face ao mês anterior, este valor representa um aumento de mais de quatro mil milhões de euros.

“Em abril de 2018, a dívida pública situou-se em 250,1 mil milhões de euros, aumentando 4,2 mil milhões de euros relativamente ao final de março”, aponta a instituição liderada por Carlos Costa em comunicado. A justificação deste avanço prende-se com o aumento da emissão de obrigações do Tesouro, que atingiu o valor mais alto desde que o Banco de Portugal tem registo.

“Para este aumento contribuiu essencialmente o acréscimo dos títulos de dívida, maioritariamente por via da emissão de obrigações do Tesouro”, lê-se ainda no comunicado. O IGCP pôs nos mercados 135.981 milhões de euros em títulos a longo prazo, até este mês de abril.

Dívida nacional atinge 250 mil milhões em abril

Fonte: Banco de Portugal

Este valor, que é o que é tido em conta por Bruxelas, representou, nos primeiros três meses do ano 126,3% do Produto Interno Bruto português. Este rácio foi atualizado em uma décima pelo Banco de Portugal, que em maio apontava para os 126,4%.Já

A instituição que gere a dívida nacional já foi aos mercados seis vezes este ano para se financiar a longo prazo. Entre duas emissões em fevereiro, duas em março, a cinco e dez anos, angariou 2,5 mil milhões de euros. Para além destes leilões, Portugal ainda obteve três mil milhões com dívida a 15 anos, montante que angariou através de uma operação sindicada em abril. Esta eleva para 5,5 mil milhões de euros o valor do financiamento a longo prazo conseguido pelo IGCP nos primeiros quatro meses do ano.

Este aumento do stock da dívida é conhecido na mesma semana em que FMI alertou o Governo para que este comece a reduzir a dívida pública com mais intensidade este ano, e não apenas a partir de 2020, considerando que as metas deveriam ser antecipadas para evitar possíveis dificuldades futuras.

No seu relatório proveniente relativo à missão do Artigo IV, a instituição liderada por Christine Lagarde recomendou que o ajustamento previsto no Programa de Estabilidade fosse antecipado, para “evitar o risco de que as políticas possam tornar-se pró-cíclicas” e para “assegurar que o ajustamento previsto é robusto perante possíveis surpresas adversas mais adiante”.

(Notícia atualizada pela última vez às 11h50)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Dívida pública volta a ultrapassar os 250 mil milhões de euros em abril

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião