Teixeira dos Santos: “Custa-me acreditar que parceiros europeus queiram Itália” fora da UE

O presidente do banco Eurobic prevê uma "atitude europeia mais propensa ao diálogo e ao estabelecimento de compromissos" com a Itália.

O presidente do banco Eurobic mostra-se preocupado com a situação política de Itália, relativamente a uma hipotética saída da país da União Europeia (UE). Contudo, não acredita que os italianos queiram esse cenário e, do lado dos parceiros europeus, também não. Nesse sentido, antevê uma “atitude europeia mais propensa ao diálogo”. Questionado sobre as perspetivas da economia portuguesa para as empresas, Fernando Teixeira dos Santos defende a necessidade de “reformas importantes que incentivem a competitividade do país”.

Precisamos de crescimento, tanto o país como a Europa em geral, para podermos aliviar o fardo que o legado da crise nos deixou”, começou por dizer o presidente do Eurobic esta terça-feira, durante o fórum “Desenvolvimento económico e futuro de Leiria“, promovido pelo banco Eurobic. “A Europa precisa, de facto, desse crescimento, mas ainda está confrontada com problemas relacionados com a crise e com o impacto que essa crise teve na geometria política de vários países, incluindo Itália”, continuou.

Questionado sobre o futuro político de Espanha e Itália, dois países que têm sido temas frequentes em vários órgãos de comunicação, Teixeira dos Santos diz não estar preocupado com o país vizinho, uma vez que considera “os espanhóis muito pragmáticos e pró-europeus” e, neste sentido, acredita que haverá “um período de ajustamento e clarificação política“. Mas, pelo contrário, quanto aos italianos, o caso muda um pouco de figura.

Da situação de Itália, a imagem é mais preocupante porque gera mais incerteza”, afirmou, fazendo referência ao “dilema italiano”, que inclui a possibilidade de o país seguir o exemplo do Reino Unido e decidir abandonar a UE. Ainda assim, acredita não haver motivos para alarme: “Custa-me acreditar que os italianos queiram sair e romper com a Europa. Não podemos ignorar que Itália é um país fundador da comunidade económica europeia. Portanto, custa-me pensar numa Itália a romper com este legado histórico de participação na construção europeia”.

"Custa-me acreditar que os italianos queiram sair e romper com a Europa. Não podemos ignorar que a Itália é um país fundador da comunidade económica europeia. Portanto, custa-me pensar numa Itália a romper com este legado histórico de participação na construção europeia.”

Fernando Teixeira dos Santos

Para além disso, do lado da Europa, acredita que esta também não quererá ver a Itália de fora. “Custa-me acreditar que os parceiros europeus queiram ver a Itália sair. Estamos agora a perceber os problemas que o Brexit gerou, mas também a UE, no seu conjunto, estará interessada em evitar que experiências de saída como esta se venham a repetir”, disse. Neste sentido, acredita que, no futuro, “será de esperar uma atitude europeia mais propensa ao diálogo e ao estabelecimento de compromissos com um país com a dimensão de Itália”.

“É evidente que o aspeto populista do poder italiano neste momento é evidente mas, no meu entender, quando as novas autoridades italianas começarem a ter que dialogar mais frequentemente com os seus parceiros europeus, estes também vão ter de dar sinais de que não querem rompimentos“, continuou.

Portugal já está a acompanhar o ciclo económico europeu?

Questionado sobre as perspetivas para a economia nacional, o professor e economista antevê um período positivo. “Temos uma exposição à economia europeia muito forte, importamos e exportamos muito. Portanto, o ciclo europeu vai, inevitavelmente, influenciar o ciclo económico nacional”. Neste sentido, acredita que o país continuará numa “fase positiva do ciclo económico, onde será de esperar que o crescimento desacelere, tendo em conta este contexto europeu”. “Mas vamos poder ter um nível de crescimento positivo“, notou.

Contudo, para que haja esse crescimento, Teixeira dos Santos defende a necessidade de “reformas importantes que tenham a ver com mais flexibilização dos mercados e que incentivem a competitividade do país“. Durante o fórum do Eurobic esta terça-feira, sublinhou duas áreas que considera importantes para as empresas: “Mais pessoas qualificadas e mais inovação“. E, quanto a isto, esclareceu: “Não é com salários baixos que reforçamos a nossa produtividade. Para termos mais produtividade precisamos de pessoas mais qualificadas e inovação nos equipamentos, nos processos, etc.”.

Analisando a situação atual do país, não vê “grandes reformas significativas” mas, de qualquer modo, destaca “uma dinâmica muito positiva do setor empresarial”, na medida em que “o setor privado tem encontrado o seu caminho para tomar iniciativa”. Um caminho que, segundo disse, é notório: “Vê-se o surgimento de uma geração de empresários com uma visão completamente diferente”.

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