Portugal paga mais pela dívida a dez anos. Taxa sobe para 1,919%

Portugal colocou mil milhões de euros num duplo leilão de dívida de longo prazo. Mas ao contrário dos anteriores leilões, acabou por pagar mais, reflexo da instabilidade na Zona Euro.

Depois das taxas mais baixas de sempre, Portugal pagou mais para colocar dívida de longo prazo. As taxas exigidas pelos investidores para comprarem obrigações do Tesouro a cinco e dez anos aceleraram, reflexo da instabilidade vivida na Zona Euro, mas também a expectativa quanto ao fim dos estímulos do Banco Central Europeu (BCE). A taxa a dez anos ficou perto de 2%.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pretendia financiar-se entre 750 e 1.000 milhões de euros em dois leilões a cinco e dez anos, tal como fez há cerca de um mês, a 9 de maio. Conseguiu o montante máximo, mas o custo desta dívida vai pesar mais nas contas públicas já que as taxas subiram.

De acordo com os dados da Bloomberg, no prazo a cinco ano, em que foram colocados 412 milhões de euros, a taxa exigida pelos investidores foi de 0,746%, acima dos 0,529% registados há um mês, naquele que tinha sido o financiamento mais baixo de sempre para esta maturidade.

O mesmo aconteceu no prazo mais longo, a dez anos. Nesta maturidade, depois de ter conseguido um juro de 1,67% no leilão realizado no mês passado, a taxa mais baixa de sempre, o IGCP vai pagar 1,919% pelos 588 milhões de euros colocados neste prazo. Em fevereiro tinha pago mais de 2% neste prazo.

Esta taxa está próxima daquela que se observa no mercado. Os juros da dívida portuguesa têm aliviado nas últimas sessões, mas depois de dispararem em resultado da tensão política na Europa. A mudança de governo em Espanha, mas especialmente o novo Executivo em Itália levaram os juros da dívida soberana do euro a acelerar, nomeadamente os dos países do sul.

A juntar-se a esta tensão, está ainda a expectativa dos investidores em torno do que irá fazer o BCE. O economista-chefe da autoridade monetária do euro, Peter Praet, alarmou os investidores no início do mês ao anunciar que o banco central está preparado para discutir o fim do chamado quantitative easing já na próxima reunião, que tem lugar esta quinta-feira, em Riga, Letónia.

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