Como é que 6,75 euros valem mais que 7,33 euros na OPA à EDP Renováveis?

Há um ano, Manso Neto dizia que 6,75 euros pela EDP Renováveis pareciam adequados. Mas hoje diz que vender por 7,33 euros é um mau negócio. O que mudou na matemática?

Há um ano, a administração da EDP Renováveis considerava razoável vender ações por 6,75 euros na oferta pública de aquisição (OPA) da EDP. Mas hoje diz que é um mau negócio vender por 7,33 euros à China Three Gorges. O que mudou na matemática de Manso Neto?

O que dizia Manso Neto há um ano?

Para controlar totalmente a EDP Renováveis, a EDP ofereceu em março de 2017 uma contrapartida de 6,75 euros por cada ação da sua subsidiária de energias limpas. No entender da gestão liderada por Manso Neto, o preço da oferta encontrava-se num “intervalo de valorização da sociedade que se considera adequado” e, posto isto, recomendou:

O Conselho de Administração recomenda que cada acionista tome a decisão de aceitar, ou não aceitar, a oferta, em função da análise dos seus próprios objetivo, horizonte temporal de investimento e eventual necessidade de realização de liquidez para as ações da EDP Renováveis por si detidas“.

O que diz agora?

Um ano depois, perante uma oferta chinesa de 7,33 euros (+8,6% do que a EDP oferecia há um ano), Manso Neto “entende que a contrapartida subvaloriza a EDP Renováveis, tendo em conta as perspetivas baseadas no plano de negócios 2016-2020″. E conclui:

Além dos dados recolhidos junto do mercado de capitais, o Conselho de Administração da EDP Renováveis considera que a oferta não reflete a melhoria no mercado nem as perspetivas positivas existentes nos principais mercados da EDP Renováveis“.

O que mudou?

Feitas as contas, os chineses oferecem hoje mais 58 cêntimos por cada ação da EDP Renováveis do que a EDP pagava há um ano. Mas se a proposta da EDP parecia convencer Manso Neto, o preço oferecido pela China Three Gorges é considerado manifestamente baixo. O que mudou?

“Quando comparado com a oferta da EDP sobre a EDP Renováveis, anunciada em março de 2017, o conselho de administração da EDP Renováveis reconhece que o ambiente e as condições do mercado de capitais melhoraram, em especial no que se refere à clarificação dos efeitos da reforma fiscal nos EUA, e que existe hoje uma maior visibilidade sobre a execução e perspetivas do plano de negócios“, justifica Manso Neto no relatório do conselho de administração da EDP Renováveis relativamente à OPA chinesa.

E acrescenta: “Em termos de crescimento seletivo, a EDP Renováveis não só executou ou garantiu mais de 90% da meta de 3,5 GW de adições de capacidade cumulativas para o período 2016-2020, como também já garantiu projetos para o crescimento pós-2020, tudo com fluxos de caixa previsíveis e a longo prazo”.

Mais argumentos: “No pilar de Excelência Operacional, a EDP Renováveis alcançou em 2017 melhores resultados em termos de eficiência de custos do que aqueles previstos para 2020 (…). No modelo de autofinanciamento, o objetivo da EDP Renováveis de atingir 900 milhões de euros de fluxo de caixa retido em 2020 foi já alcançado em 2017, o que revela a capacidade dos ativos de gerar fluxo de caixa“.

Ações valorizam 26% entre OPAs

O mercado parece acompanhar aquilo que é o entendimento atual de Manso Neto. Entre a OPA portuguesa e a OPA chinesa, as ações da EDP Renováveis valorizaram mais de 25,8%. Isto quer dizer que, para os investidores, a empresa vale hoje muito mais do que valia quando a EDP tentou lançar mão sobre a sua filha de energias limpas, em 27 de março de 2017.

E com as ações a negociar esta segunda-feira nos 8,30 euros, não é só Manso Neto a pedir mais aos chineses. Também os acionistas e investidores estão a exigir uma maior ambição chinesa se efetivamente quiserem vir a controlar a EDP Renováveis.

Ações já valem mais um euro do que aquilo que os chineses oferecem

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