Quase 50% do PIB mundial vem a Sintra. Powell, da Fed, será uma estreia

Banqueiros centrais reúnem-se em Sintra esta segunda. Presidente da Fed pela primeira vez no Fórum do BCE. Encontro anual acontece quando EUA e zona euro retiram estímulos a velocidades diferentes.

Os presidentes do Banco Central Europeu (BCE), da Fed, Banco do Japão, Austrália e Irlanda juntam-se a partir desta segunda-feira e até quarta, em Sintra. O encontro anual do BCE conta com a presença de Mario Draghi, Jerome Powell, Haruhiko Kuronda, Philip Lowe e Philip Lane, banqueiros centrais que tomam decisões de política monetária que afetam economias que valem 48% do PIB mundial.

Desde 2014 que o Fórum do BCE se realiza no Hotel da Penha Longa, em Sintra. Este ano, o encontro conta com a presença do responsável máximo da Reserva Federal norte-americana (Fed). Powell faz parte da lista de oradores. Segundo as listas oficiais de oradores de anos anteriores esta é a primeira vez que o presidente em exercício da Fed participa da reunião em Sintra. Em 2016, o nome de Janet Yellen, a antecessora de Powell, chegou a fazer parte da lista de participantes mas a responsável máxima da Fed acabou por não vir a Portugal.

Fotomontagem: Lídia Leão

A presença de Jerome Powell e de Mario Draghi no Fórum do BCE garantem o frente-a-frente entre dois poderosos banqueiros centrais numa altura em que a condução da política monetária segue ritmos diferentes nos dois lados do Atlântico.

A 13 de junho, nos EUA, a Fed voltou a subir a taxa de juro para perto de 2% e admitiu que haja novos acréscimos no custo do dinheiro. A decisão resulta de um crescimento económico acelerado na maior economia mundial, ao mesmo tempo que o mercado de trabalho apresenta uma recuperação sólida.

Um dia depois, o BCE teve a reunião mensal de decisão sobre juros. Perante uma Zona Euro que atravessa um bom momento em termos económicos, Draghi também começa a reduzir os estímulos, mas de uma forma mais tímida. Na quinta-feira anunciou que em setembro o BCE vai começar a comprar metade da dívida que hoje adquire e que até ao final do ano vai deixar o programa de estímulos monetários dirigido ao bloco do euro. Porém, eventuais subidas da taxa de juro só serão ponderadas depois do verão de 2019.

Ou seja, enquanto a Fed vai na sétima subida do preço do dinheiro desde final de 2015, o BCE mantém desde março de 2016 os juros em 0%, o valor mais baixo desde que o euro foi criado, no final da década de 90.

Apesar de os banqueiros centrais da Fed e do BCE continuarem concentrados em vigiar a inflação e o crescimento dos blocos económicos para os quais tomam decisões, o tema escolhido para o Fórum de Sintra é outro. Banqueiros e académicos vão debater a “Fixação de preços e de salários nas economias avançadas”.

Com as economias a crescer e a inflação mais próxima dos objetivos, o BCE promove no Fórum um debate que entra no território do mercado laboral. Em Sintra estarão por isso especialistas na área como Philippe Marcaden, o responsável na Organização Internacional do Trabalho (OIT) por Mercados de Trabalho Inclusivos, Relações Laborais e Condições de Trabalho.

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