BCE termina estímulos no final do ano. Reduz compras para metade a partir de setembro

BCE anunciou hoje que vai reduzir as compras de dívida pública na Zona Euro para 15 mil milhões de euros por mês a partir de setembro, se inflação estiver robusta. Estímulos terminam no final do ano.

O Banco Central Europeu (BCE) vai reduzir as compras de dívida pública na Zona Euro de 30 mil milhões de euros para 15 mil milhões de euros por mês a partir de setembro, isto se a taxa de inflação estiver em linha com o seu objetivo. Depois disso, o programa de estímulos monetários terminará no final do ano. Já os juros vão continuar em mínimos históricos até ao verão do próximo ano.

As decisões foram conhecidas esta quinta-feira, após nova reunião de política monetária do banco central liderado por Mario Draghi, que teve lugar em Riga, Letónia.

Está em marcha a normalização da política monetária na Zona Euro, depois do programa agressivo de compras de dívida ter adquirido mais de dois biliões de euros em obrigações desde março de 2015. No fundo, o BCE vai deixar de comprar dívida já no início do próximo ano e, a partir daí, apenas os reinvestimentos (com dinheiro dos títulos que foram vencendo) vão ajudar a conter os juros na região, um cenário que já era esperado pelos analistas. .

Adicionalmente, apesar de ter mantido os juros nesta reunião, o BCE deixou uma nova orientação quanto ao rumo das taxas na região nos próximos tempos. E os juros em mínimos vão continuar durante mais um ano, antecipa o banco central.

“O Conselho de Governadores espera que as taxas diretoras do BCE continuem nos seus atuais níveis até, pelo menos, ao verão de 2019 e, em qualquer caso, durante o tempo que for necessário para assegurar que a evolução da inflação permaneça alinhada com as expectativas atuais de um ajustamento sustentado da trajetória”, afirma a autoridade em comunicado.

Atualmente, a taxa de juro de referência, que determina o custo do crédito na economia da Zona Euro, está nos 0,0%. Já as taxas de juro dos depósitos no banco central permaneceram nos -0,4%.

Daqui a pouco, quando foram 13h30 em Lisboa, Mario Draghi vai comparecer perante os jornalistas para explicar as decisões tomadas esta quinta-feira. E são vários os pontos de interesse para acompanhar. O italiano vai apresentar novas projeções para a evolução da economia do bloco do euro. Além disso, a instabilidade política em Itália também deverá merecer a atenção da imprensa. Mas o tema central deverá ser mesmo o programa de compras de dívida pública.

(Notícia atualizada às 13h15)

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