Será desta que o BCE fecha torneira do dinheiro?

Draghi e companhia deverão discutir hoje os planos para a saída dos estímulos. Mas decisão final só virá no próximo mês, dizem os analistas. Subida dos juros? Só na segunda metade do próximo ano.

É desta que o Banco Central Europeu (BCE) fecha torneira do dinheiro barato? Talvez ainda seja cedo para Mario Draghi revelar quais os planos que tem para o futuro do programa de compra de dívida na Zona Euro, devido à recente incerteza com Itália e com a iminente guerra comercial entre EUA e resto do mundo. Mas uma coisa parece certa entre os analistas: os estímulos não deverão ir além deste ano. E depois virão as subidas dos juros.

As declarações do economista-chefe do BCE deixaram os mercados baralhados logo no início deste mês. Peter Praet revelou que o banco central estava preparado para discutir o fim do chamado quantitative easing já na próxima reunião, que tem lugar esta quinta-feira, em Riga, Letónia. Porém, com o staff técnico a atualizar as perspetivas para a evolução da economia nos próximos tempos, há duas incógnitas que podem atrapalhar as contas dos governadores: até que ponto o novo Governo italiano e a guerra no comércio internacional podem ameaçar a estabilidade económica na região da moeda única?

“Dada a menor visibilidade do BCE em eventos futuros, provavelmente é cedo demais para o banco central detalhar a sua estratégia de saída da política monetária ultra-acomodatícia, apesar de o programa de recompra de títulos vencer em setembro deste ano”, comenta Franck Dixmier, especialista da Allianz GI.

“O nosso cenário central pede uma extensão do programa de quantitative easing do BCE, com uma redução gradual até dezembro de 2018“, acrescenta Dixmier.

Atualmente, o BCE tem definido um ritmo de compras mensais de 30 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro da Zona Euro até setembro. Há quem espere que o banco central reduza as compras mensais para os 10 mil milhões a partir dessa data, abrindo a porta para a normalização da política de estímulos já no novo ano. Aí, apenas os reinvestimentos do banco central (com dinheiro dos títulos que foram vencendo) vão ajudar a conter os juros na região.

Os analistas do Commerzbank partilham outra teoria relativamente àquilo que pode estar por detrás da decisão colocar um ponto final nos estímulos. “O BCE não pode deter mais de um terço de qualquer linha de obrigações para cumprir com a regra do Tribunal Europeu da Justiça de não ser o credor dominante dos Estados membros. Mas este limite vai ser alcançado brevemente na maioria dos países. Ou seja, o BCE está obrigado a terminar as compras de obrigações“, dizem.

De qualquer forma, há algum consenso no mercado: o tema do fim dos estímulos não deverá passar esta quinta-feira da simples discussão teórica no seio do Conselho de Governadores do BCE, como forma de preparar os investidores para uma decisão definitiva que só surgirá em julho.

Relativamente aos juros de referência, não se esperam novidades para hoje. O banco alemão aponta para subidas apenas para setembro do próximo ano, com a atual taxa de depósitos de -0,4% subir para -0,3%. “O que virá a seguir não será um ciclo de subidas dos juros num sentido mais substancial”, antecipa o Commerzbank.

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