Wall Street fecha no vermelho. Guerra comercial faz sangue nos mercados

A retórica protecionista e os primeiros sinais de que a atividade das empresas já começa a ser afetada levaram todos os índices a fechar em queda.

A guerra comercial, que tem o Presidente norte-americano como principal protagonista, está a deixar os mercados nervosos. Os principais índices norte-americanos fecharam no vermelho, depois de já terem arrancado a sessão sob pressão. E as perspectivas não são as melhores. Para os investidores a palavra de ordem é esperar para ver.

A retórica protecionista e os primeiros sinais de que a atividade das empresas já começa a ser afetada levaram o S&P 500 a fechar com uma perda de 0,63%, para 2.749,76 pontos. Já o industrial Dow Jones caiu 0,80%, para 24.461,7 pontos e o tecnológico Nasdaq caiu 0,88% para 7.712,95 pontos.

Os investidores em ativos americanos optaram por vender ações esta quinta-feira depois de terem tido alguns detalhes sobre o impacto potencial do braço de ferro comercial entre os Estados Unidos e a China que se atacam mutuamente com tarifas às importações. Por exemplo, o fabricante automóvel Daimler reviu em baixa as suas previsões de lucros tendo em conta que as tarifas que serão impostas aos veículos exportados dos Estados Unidos para a China vão afectar as vendas de Mercedes-Benz.

A nossa expetativa é que estaríamos perante mais retórica do que verdadeira política. No entanto, a primeira brecha neste argumento foi o anúncio da Daimler“, disse Eric Wiegand, gestor de carteiras de investimento no US Bank Private Wealth Management em Nova Iorque, citado pela Reuters. “Os investidores estão esperançados que, com o longo do tempo, seja possível chegar a acordo e que não haja muitas consequências negativas”, acrescentou, frisando que é necessário esperar para ver como as cosias vão evoluir.

Na terça-feira o Presidente norte-americano ameaçou impor taxas alfandegárias suplementares de 10% sobre importações chinesas que ascendem a 200 mil milhões de dólares, em resposta às represálias chinesas pelas tarifas impostas. O jornal chinês The Global Times, controlado pelo Estado, já disse num comentário que se Donald Trump continuar a exacerbar a tensão em torno do comércio internacional, Pequim poderá vir a atingir cotadas do Dow Jones, avançou a Reuters. Por outro lado, a União Europeia anunciou que esta sexta-feira vai começar a impor tarifas num conjunto de produtos norte-americanos: aço, algumas bebidas alcoólicas, manteiga de amendoim, sumo de laranja, amoras, etc. O valor esperado destes impostos alfandegários é de 2,8 mil milhões de euros.

Os mercados esta quinta-feira ficam também marcados pela queda do dólar, uma descida do pico de 11 meses face a um cabaz com as principais moedas. A razão está na avaliação que a Reserva Federal da Filadélfia faz da atividade económica que caiu para um nível de quase um ano e meio.

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