Chineses sondam grandes elétricas europeias para tentar vender negócio da EDP nos EUA

A China Three Gorges contactou grandes elétricas como a Enel e a Iberdrola para perceber se tinham interesse em ficar com os ativos renováveis da EDP nos EUA. A Engie terá sido a única a dizer sim.

A notícia é avançada pela agência Reuters que diz que a China Three Gorges estará a sondar compradores para ficarem com o negócio das renováveis que o grupo EDP tem nos EUA. Isto caso a OPA sobre a EDP tenha sucesso.

Segundo a agência de notícias, que cita três fontes não identificadas, os chineses terão contactado a italiana Enel, a espanhola Iberdrola, a francesa Engie e as utilities alemãs E.ON e RWE.

A mesma fonte acrescenta que deste grupo de empresas, a Engie terá sido a única a mostrar interesse nesses ativos. Esta terça-feira, em comunicado à CMVM, a Engie já tinha vindo dizer que “não está, atualmente, a preparar qualquer oferta de aquisição sobre a EDP Renováveis”, mas diz que, “como uma das maiores elétricas europeias com operações a nível mundial, está constantemente a avaliar oportunidades de investimento”.

A China Three Gorges, que direta e indiretamente controla 28% do capital da EDP, lançou uma OPA sobre a totalidade do capital da elétrica tendo, em simultâneo, avançado com uma oferta para ficar com 100% do capital da subsidiária EDP Renováveis.

Os ativos da Renováveis nos EUA são bastante apetecíveis para os chineses, mas é provável que a Administração Trump coloque um travão à possibilidade de esses ativos passarem a ser controlados por uma empresa que pertence ao Estado chinês. Antes de chegar ao final, a OPA terá de passar pelo crivo do Committee on Foreign Investment mas, numa altura de guerra comercial entre EUA e China, a Reuters diz que as hipóteses não jogam a favor da China Three Gorges.

Para ilustrar esta tese, a agência cita os números de um escritório de advogados para dizer que desde que Donald Trump tomou posse, este Comité bloqueou 12 negócios envolvendo empresas chinesas, ou seja, quase metade das 27 operações analisadas. Em 2016, apenas quatro negócios chineses foram bloqueados de um total de 26 analisados.

“A joia da coroa da EDP são os ativos de energias renováveis nos EUA, que estão no portefólio da EDP Renováveis. A China Three Gorges sabe que não terá autorização por parte do Comité [norte-americano] para ficar com esses ativos caso passe a controlar uma posição maioritária na EDP”, afirmou uma das fonte à Reuters.

Os ativos da EDP nos EUA estão avaliados em 6,7 mil milhões de euros, sendo um dos negócios mais apetecíveis e com maior potencial de crescimento do grupo. Por isso é que, segundo a Reuters, o Governo português estará a resistir a este cenário de os chineses poderem vir a dividir o património da empresa.

(Notícia em atualização)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Chineses sondam grandes elétricas europeias para tentar vender negócio da EDP nos EUA

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião