Novo Banco vai fechar mais 30 balcões até final do mês

  • Lusa
  • 3 Julho 2018

O fecho de agências do Novo Banco este ano visa antecipar a meta negociada com Bruxelas para 2021, ano em que o banco deveria ter 400 balcões (menos 73 do que tinha no final de 2017).

O Novo Banco vai encerrar cerca de 30 balcões até final de julho, uma medida incluída no fecho de 73 agências previsto para este ano, de acordo com fonte ligada ao processo, avança a Lusa. Já em final de abril o Novo Banco tinha fechado 30 balcões.

O fecho de agências do Novo Banco este ano visa antecipar a meta negociada com Bruxelas para 2021, ano em que o banco deveria ter 400 balcões (menos 73 do que tinha no final de 2017).

Com a antecipação da meta de redução da rede comercial, a instituição que resultou da resolução do BES quer reduzir custos mais rapidamente para conseguir apresentar rentabilidade já em 2019.

Quanto aos balcões a fechar no final de julho, o Novo Banco já comunicou o encerramento aos clientes afetados e a transferência das contas para outra agência.

Quando todos os fechos de balcões forem concretizados e tendo em conta os 631 balcões que o Novo Banco tinha no final de 2014, tal significa que a instituição fechou cerca de 40% da rede comercial em quatro anos.

Ainda este ano deverão sair do banco mais de 400 trabalhadores, meta já conhecida para a qual foram provisionados 134 milhões de euros, e que será conseguida em rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas.

A Lusa não conseguiu obter comentários de fonte oficial do Novo Banco sobre o fecho de agências.

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco, Byron Hayes, disse em entrevista ao Expresso este fim de semana que o banco quer “limpar a herança em 18 meses”, que deve ter menos balcões mas “maiores em áreas de maior população” e assegurar que são “rentáveis”.

Em outubro passado, o Novo Banco (a instituição que ficou com ativos do ex-BES, alvo de medida de resolução em 03 de agosto de 2014) foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star em 75%, ficando o Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos) com os restantes 25%.

A Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, o que já fez.

Para aprovar a venda do Novo Banco, a Comissão Europeia exigiu um novo plano de reestruturação com implicações na dimensão da sua atividade, através de venda ou fecho de operações, assim como redução da sua estrutura e número de trabalhadores.

Em 2017, o Novo Banco teve prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).

Na sequência deste nível elevado de perdas, o Novo Banco ativou o mecanismo de capital contingente (negociado com o Estado português aquando da venda), pedindo que o Fundo de Resolução o recapitalizasse, o que aconteceu em finais de maio num montante de 792 milhões de euros.

Para isso, uma vez que o Fundo de Resolução não tinha todo o dinheiro necessário, o Tesouro público emprestou 430 milhões de euros.

No primeiro trimestre deste ano, o Novo Banco teve lucros de 60,9 milhões de euros no primeiro trimestre, o que compara com o prejuízo de 130,9 milhões de euros dos primeiros três meses de 2017.

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