Amorim Energia paga 400 milhões para manter posição na Galp

A Amorim Energia desembolsou em junho 400 milhões de euros para cimentar a sua posição de 33,34% na petrolífera portuguesa. Pagou com dinheiro do seu bolso e com recurso à banca, apurou o ECO.

Paula Amorim sucedeu ao pai, Américo Amorim, na liderança do grupo Amorim.Paula Nunes / ECO

A Amorim Energia teve de desembolsar no mês passado 400 milhões de euros para manter a sua posição de referência na Galp GALP 3,95% , apurou o ECO, numa operação que vem clarificar a estrutura acionista da petrolífera portuguesa por entre rumores de fusões e aquisições.

Fonte oficial da empresa da família Amorim e dos angolanos Sonangol e Isabel dos Santos adiantou ao ECO que se procedeu a esse pagamento depois de no passado dia 3 de junho ter vencido uma linha obrigações convertíveis em ações correspondentes a 3% do capital da petrolífera portuguesa. Estas obrigações foram emitidas pela Amorim Energia em maio de 2013 e conferiam aos seus titulares o direito de transformar os títulos de dívida em ações da Galp Energia até meados de abril de 2018 — 40 dias antes da maturidade.

Na prática, havia um bloco de 3% da Galp que podia mudar de mãos, mas o preço de exercício das obrigações da Amorim Energia — fixado nos 15,89 euros — não convenceu os investidores a acionarem os exchange rights, preferindo reaver o total do dinheiro aplicado nas obrigações em vez de ficarem com ações da Galp.

No último ano, as ações da petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva cotaram em média nos 15,17 euros, abaixo do preço de exercício — ou seja, na lógica do obrigacionista, mais valia comprar ações da petrolífera na bolsa do que exercer o direito de troca destas obrigações nos 15,89 euros.

Fonte da Amorim Energia adiantou ao ECO que a holding procedeu à liquidação financeira da totalidade destas obrigações no momento de vencimento dos títulos. E os 400 milhões de euros foram devolvidos aos obrigacionistas no dia 3 de junho.

A mesma fonte revelou que esse pagamento foi realizado através de recursos próprios da Amorim Energia e através de financiamento bancário. Informou ainda que, apesar do montante avultado reembolsado, a holding não está a equacionar qualquer operação de financiamento no mercado, refletindo uma maior estabilidade financeira em que a empresa se encontra hoje em dia.

Em 2013, e numa altura em que a República portuguesa e grandes empresas nacionais tinham dificuldades de acesso aos mercados de financiamento internacionais, a Amorim Energia anunciou que os 400 milhões de euros encaixados com a emissão de obrigações convertíveis em ações da Galp iriam servir para refinanciar a dívida, aumentar a maturidade média da dívida e reforçar a posição de liquidez e diversificar as fontes de financiamento.

Quem controla a Galp?

Fonte: Galp

Deste modo, a Amorim Energia cimenta a sua posição na Galp Energia, onde é o maior acionista com 33,34%, numa altura em que o mercado está especialmente atento aos desenvolvimentos no seio da estrutura acionista da petrolífera portuguesa.

São vários os fatores que colocam a empresa portuguesa no radar dos grandes bancos de investimento e fundos internacionais: a mudança de Governo em Angola e a saída de Isabel dos Santos da Sonangol, a morte do fundador do grupo, Américo Amorim, e a Parpública, que vai ter de se desfazer de uma posição de 7% na Galp mais cedo ou mais tarde.

Em fevereiro deste ano, o jornal espanhol El Confidencial avançou que a Amorim Energia estava a ponderar reduzir a sua posição na Galp, citando o distanciamento entre a família Amorim, a Sonangol e Isabel dos Santos no seio da holding — a Amorim Energia é detida pela família Amorim (55%) e pela angolana Esperanza (45%), controlada pela Sonangol e que integra Isabel dos Santos no capital.

Se dúvidas havia em relação ao interesse da Amorim Energia na petrolífera portuguesa, um analista do mercado frisava ao ECO que o resultado final da emissão de obrigações convertíveis mostra que “os principais acionistas da Galp mantêm a visão sobre a empresa”, dentro da “lógica de continuidade do acionista que era expectável pelo mercado”.

Adicionalmente, esta clarificação surge depois de em setembro de 2016 a Amorim Energia ter vendido uma bloco de ações correspondentes a 5% do capital da Galp, num negócio avaliado em 485 milhões de euros.

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