O 5G vem aí. Mas o que é que vai mudar?

A nova geração de rede móvel vai trazer mais velocidade e potenciar o crescimento da indústria. Esperar por downloads? Será coisa do passado.

Em 2016, a maior feira de dispositivos móveis do mundo já anunciava o 5G com pompa e circunstância. A tecnologia está aí, ao virar da esquina.Kārlis Dambrāns/Flickr

A evolução da sociedade sempre acompanhou a das comunicações. Há milhares de anos, a invenção das pontes encurtou distâncias, ligou comunidades e potenciou o comércio. Da mesma forma que a massificação da internet, no final do século XX, abriu possibilidades nunca antes imaginadas pelo Homem. Mas desde que trocámos os modems lá de casa pela fibra ótica, e os computadores pelos telemóveis, a revolução, essa, tem sido praticamente constante.

Também tem sido cada vez mais rápida. Em 2007, ano da chegada do iPhone, o 3G ultrapassou o 2G e mostrou que não era preciso esperar mais de um minuto para carregar uma página a partir da rede. Comunicar de forma instantânea passou a ser uma realidade. Preencheu-se assim o fosso da distância. Famílias separadas por oceanos ganharam novas formas de matar saudades. Já para não falar das redes sociais, que ligaram pessoas que nem sequer se iriam conhecer de outra forma.

No início desta década, as operadoras de telecomunicações acordaram para o 4G. É a quarta geração de rede móvel, com forte impacto, desde logo, no entretenimento. Agora, dá para ver filmes em alta definição numa plataforma de streaming. Agora, dá para descarregar ficheiros enormes em quatro ou cinco minutos. Antes, eram horas.

Chegados a 2018, todos os caminhos vão dar ao 5G, que vai ser a próxima geração da infraestrutura de rede. As marcas usam a buzzword como forma de promoção. As empresas começam a abrir terreno e a imaginar um futuro de latência quase zero. Para onde caminha isto?

A revolução do 5G

É fã da seleção? Ótimo. Imagine que estamos em 2026 e Portugal joga uma das finais do Mundial mais empolgantes de que há memória. Não tem como ir ao estádio, pelo que acompanhar a partida na televisão é uma hipótese. Mas lembre-se: está num mundo 5G. Nesse ano, espera-se que a rede móvel de quinta geração já se esteja a massificar. Se quer ter uma experiência diferente, como a de ir ao estádio ver a bola, pode acompanhar o jogo em direto com os seus óculos de realidade virtual. Esta é uma das possibilidades do 5G: o streaming de vídeo em 360 graus, com qualidade 8K ou melhor.

Esta tecnologia de comunicação móvel vai trazer velocidades muito superiores ao que estamos atualmente habituados. Esperar por downloads vai ser coisa do passado. E o número de aparelhos ligados à internet vai pura e simplesmente explodir. Na sua cozinha, fogão, frigorífico e micro-ondas vão poder estar ligados à rede. Robôs autónomos e colaborativos vão conhecer a planta do seu lar e calcular a forma mais rápida de lhe aspirar a casa toda.

E o seu carro? Vai ter internet, abrir com o telemóvel, estacionar e conduzir sozinho. Deverá ser capaz de comunicar com os outros carros, travar quando encontra um obstáculo, ir de Lisboa ao Porto sem que tenha de pôr as mãos no volante. Sim, falar de carros autónomos é falar de 5G. Porque não vai querer andar num carro que demora 20 milissegundos a comunicar uma informação. A 50 quilómetros por hora, toda a comunicação entre veículos e com o servidor terá de ser instantânea. Tão ou mais rápida do que a velocidade da luz.

Mas nem só de entretenimento vive a economia. Para a indústria, o 5G significa menos custos e mais ação. Vai ser possível operar robôs à distância com óculos e luvas de realidade virtual. As linhas de produção vão ser cada vez mais automáticas, com as máquinas a tomarem decisões por si próprias. A rentabilização deverá ser maior, impulsionando a economia. E da mesma forma que há benefícios, também se reconhecem riscos: um ataque informático pode ser fatal e o mercado laboral poderá sofrer um tombo como nunca se viu, devido à substituição de trabalhadores por máquinas. Quem souber reinventar-se, estará na mó de cima.

Quando chega isto?

A Comissão Europeia tem metas apertadas para o 5G. Quer começar a implementar a tecnologia já em 2020, para fomentar a economia digital e o comércio eletrónico. Mas as operadoras, apesar de já se estarem a preparar, não têm assim tanta pressa. O 4G ainda não terá sido explorado nem rentabilizado na totalidade, tendo exigido investimentos avultados por parte das empresas não há muitos anos.

Nesta altura, começam a dar-se os primeiros passos em direção ao 5G. Estão a ser definidos os padrões a nível internacional, como é o caso da frequência em que tudo isto vai funcionar. Uma delas será a banda dos 700 MHz, que é onde funciona hoje a Televisão Digital Terrestre (TDT). Por isso, a partir do final de 2019, todas as televisões com este serviço terão de ser sintonizadas novamente. O processo é para estar finalizado em meados de 2020.

Depois, deverá haver um leilão de frequências, apesar de as operadoras já terem mostrado algum desconforto com isso. A faixa será atribuída e o investimento em tecnologia por parte de empresas como a Meo, Nos e Vodafone deverá acelerar. Amiúde, as fabricantes de aparelhos deverão começar a lançar os primeiros telemóveis 5G ready, adaptados a esta tecnologia. E a adaptação do mercado deverá ser natural.

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