Como está a Nação? Estes cinco gráficos fazem a radiografia a Portugal

Esta sexta-feira é dia de debate do Estado da Nação, no Parlamento. O último ano será, por isso, passado a pente fino. Como está o país? O ECO preparou cinco gráficos que o demonstram.

Na semana do debate do Estado da Nação fazem-se contas, reveem-se resultados e discutem-se metas. As lupas estão preparadas para analisar ao milímetro os últimos meses. E o que encontrarão? A economia a começar o ano com o pé no travão, as exportações a desacelerar, a dívida pública a atingir recordes e o défice a agravar-se 132 milhões de euros, só nos primeiros cinco meses de 2018. Uma nota mais sorridente vai para a taxa de desemprego, que voltou a descer, registando-se o quarto maior recuo homólogo da Zona Euro.

O ECO preparou cinco gráficos que medem o pulso à nação.

  • Dívida pública atinge novo recorde

Em maio, pelo segundo mês consecutivo, a dívida pública nacional aumentou, tendo, desta vez, atingido mesmo um novo máximo. De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, o endividamento público na ótica de Maastricht (a que conta para Bruxelas, no que diz respeito ao Procedimento dos Défice Excessivos) ficou nos 250.313 milhões de euros, o que refletiu um aumento de 300 milhões de euros em relação ao final de abril.

O máximo anterior tinha sido registado em agosto do ano passado, quando a dívida pública atingiu os 250.296 milhões de euros. No período que se seguiu a esse recorde, o endividamento conheceu, contudo, uma tendência mais positiva, tendo emagrecido por quatro meses consecutivos.

Do mesmo modo, apesar da subida registada em abril e em maio, prevê-se que junho quebre a tendência. O reembolso de 6,6 milhões de euros aos investidores realizado no dia 15 do mês passado deve levar a um alívio da dívida.

  • Défice cai para 0,9%

O ano começou com boas notícias, no que diz respeito ao saldo das administrações públicas. No primeiro trimestre de 2018, o défice fixou-se em 0,9% do PIB, ficando muito abaixo dos 10,6% registados no mesmo período de 2017. Se não considerarmos o impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos nestas contas, o défice dos primeiros três meses do último ano situou-se nos 2% do PIB. Ainda assim, o saldo contabilizado no primeiro trimestre de 2018 é mais positivo do que o homólogo.

Até maio, o défice (ajustado) das administrações públicas aumentou, no entanto, 132 milhões de euros, ao passar dos 1.923 milhões de euros registados nos primeiros cinco meses de 2017 para 2.055 milhões de euros. Apesar da subida, esta evolução está dentro do previsto. No total, o défice em contabilidade pública deve agravar-se em 647 milhões de euros, este ano.

Daí que, apesar do aumento referido, o Ministério das Finanças tenha decidido manter a meta para o conjunto do ano, por considerar que tal evolução se fica a dever a “fatores temporários”. O objetivo é fixar o défice deste ano nos 0,7% do PIB. Recorde-se que, apesar dos apelos do Bloco de Esquerda, o Governo reviu em baixa o défice no Programa de Estabilidade 2018-2022.

  • Economia com o pé no travão

A economia portuguesa começou o ano com o pé no travão. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,4%, no primeiro trimestre do ano, face aos três meses anteriores e 2,1% em relação ao período homólogo. É preciso recuar ao terceiro trimestre de 2016 para encontrar uma variação homóloga mais baixa (2%) do que a registada até março de 2018.

Em 2017, a economia portuguesa cresceu 2,7% ao ritmo mais alto desde 2000. O Governo, o Banco de Portugal e a Comissão Europeia reconhecem, contudo, que em 2018 a façanha não se repetirá: prevê-se um crescimento de 2,3%.

Ainda assim, os especialistas da Universidade Católica mantêm-se otimistas. O Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa estima que, no segundo trimestre, a economia nacional tenha crescido 0,6% em cadeia e 2,4% em termos homólogos. O investimento — que terá recuperado o “bom ritmo” — e as exportações deverão ter puxado pelo PIB lusitano, apontam os especialistas.

  • Desemprego em mínimos de 2004

A taxa de desemprego recuou para 7,2% em abril, um valor que iguala o registo de janeiro de 2004, mas é preciso recuar a novembro de 2002 para encontrar um número mais baixo (7,1%).

No total, o Instituto Nacional de Estatísticas estima que 369,4 mil pessoas estavam desempregadas em abril, tendo esse número diminuído 4,3% em relação ao mês anterior, ou seja, 16,6 mil portugueses saíram desse grupo.

De acordo com as estimativas do Gabinete de Estatísticas da União Europeia, em maio, Portugal registou mesmo o quarto maior recuo homólogo a nível da taxa do desemprego da Zona Euro, ficando-se nos 7,3% que compara com os 9,2% de maio de 2017. Ainda assim, tanto o Eurostat como o INE apontam uma ligeira subida face a abril de 2018.

Já a OCDE acredita que a taxa de desemprego nacional deverá cair para 6,2%, no último trimestre do próximo ano… mesmo a tempo das eleições legislativas. Recorde-se que, quando António Costa chegou ao Governo, o desemprego rondava os 12,2%.

  • Exportações? Empresários estão otimistas

Depois de um mês particularmente bom para as exportações, em maio essas vendas desaceleraram, o que se fica a dever, sobretudo, à redução do comércio com os países fora da União Europeia. As importações, por sua vez, estagnaram, também à boleia da diminuição das trocas com os países fora do espaço comunitário.

As boas notícias são que as empresas exportadoras estão otimistas e perspetivam um crescimento nominal de 6,4% das suas exportações em 2018, revendo 0,7 pontos percentuais em alta a primeira previsão indicada em novembro de 2017. O que motiva estas expectativas dos empresários? Os bons sinais vindos dos demais membros do bloco europeu.

De acordo com o Boletim Económico de junho, divulgado pelo Banco de Portugal, as empresas nacionais não só exportaram mais, como também ganharam mais quota de mercado nas vendas de bens e serviços do que os restantes países da Zona Euro, no último ano.

Com a promoção desse crescimento na mira, recorde-se que o Governo revelou, no âmbito do Simplex+2018, que está a trabalhar numa espécie de “Tinder empresarial”, isto é, uma plataforma na qual as empresas exportadoras podem encontrar os destinos mais adequados para os seus produtos. Este serviço de business match making só deverá, no entanto, ficar disponível no terceiro trimestre do próximo ano.

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