Procura no IPO da Raize foi quatro vezes superior à oferta

A Raize tem mais 1400 investidores, numa operação avaliada em 1,5 milhões de euros. "Agora virão mais empresas procurar esta alternativa", afirma José Maria Rego, um dos fundadores da empresa.

O IPO da Raize foi totalmente subscrito e a procura pelas ações da startup portuguesa foi quase quatro vezes superior à oferta. A empresa fechou a oferta pública de venda inicial (OPV) esta quinta-feira e anunciou agora os resultados da operação. Passará a cotar na bolsa de Lisboa já na próxima quarta-feira, dia 18 de julho, sob o ticker “MLRZE”. Haverá rateio.

“É com muito entusiasmo que informamos que a OPV da Raize foi totalmente subscrita em 369%”, anunciou a startup num comunicado. “Este valor reflete o elevado interesse dos investidores e confirma a necessidade de rateio no final da operação. A procura evoluiu de forma consistente ao longo das últimas quatro semanas e sempre de forma crescente”, revelou.

A Raize vendeu 750 mil ações a dois euros cada, o que corresponde a 15% do capital da startup. A operação está avaliada em 1,5 milhões de euros tendo em conta uma capitalização inicial de dez milhões.

Participaram na operação 1.419 investidores que dizem respeito a quase 2,8 milhões de ações pedidas no total das ordens. Em média, cada investidor procurou subscrever 519 ações da Raize. A empresa informa também que o coeficiente de rateio será de 27% e “assegurou que todos os investidores de retalho receberam pelo menos 500 ações da empresa”.

Este IPO também mereceu a atenção de investidores institucionais. “Em termos de investidores institucionais, a OPV contou com a participação da SGF – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões, do investidor Ilídio Pinho/IP-Holding (fundador do Banco BIG, do BCP e de outras sociedades financeiras de referência) e do investidor António Aguiar Moreira, antigo responsável pela Base Holding SGPS, que foi vendida à Unilabs em 2017”, revela a companhia.

Na apresentação de resultados, José Maria Rego, cofundador da Raize, lembrou que “já não havia uma OPV em Portugal há vários anos”, pelo que “havia alguma incerteza no mercado”. Recordou ainda que a operação ainda não está terminada: “Dia 18 é o primeiro dia de negociação, é importante que estejamos todos preparados para respondermos às necessidades dos investidores”.

“Agora virão mais empresas procurar esta alternativa, porque ficou evidente que é possível às PME em Portugal entrarem na bolsa. A nossa expectativa e esperança é a de que nas próximas semanas e nos próximos meses surjam mais oportunidades de operações”, afirmou também o cofundador.

Para dia 18, em que os títulos começam a cotar na bolsa, a Raize deixa um alerta: “Atendendo à procura elevada dos investidores na OPV inicial, esperamos um forte dinamismo nos primeiros dias de negociação pelo que será importante estarmos todos preparados para responder às necessidades dos investidores”, indica a Raize.

A Raize é uma bolsa de empréstimos a pequenas e médias empresas (PME). Os utilizadores licitam taxas de juro. A plataforma é responsável por admitir as PME e avaliar-lhes o risco.

Euronext quer que a Raize seja “exemplo” para outras empresas

Numa altura em que cada vez menos empresas recorrem ao mercado de capitais, a Euronext Lisbon quer que a IPO da Raize inspire outras empresas a escolherem ir para a bolsa. “A Raize é um interessante exemplo de como o mercado de capitais vai integrar a sua estratégia. Esperamos que seja um exemplo para outras empresas nacionais e internacionais”, disse Isabel Ucha, da administração da Euronext Lisbon.

A administradora lembrou as razões que levaram a Raize a escolher lançar um IPO. Uma delas é o reforço da “notoriedade e credibilidade junto dos seus clientes, fornecedores e parceiros”. Estes indicadores da Raize têm aumentado desde que a empresa anunciou a operação de entrada na bolsa. A startup portuguesa deverá ser a “única empresa de crowdfunding listada nos mercados europeus”.

A Raize entra assim na bolsa pela “porta de entrada” mais simples no mercado, o segmento Euronext Access, “regulado pela Euronext mas com condições de admissão e manutenção mais adequadas” para startups. “A Euronext dá neste segmento todas as garantias operacionais de que outros segmentos de mercado também beneficiam”, garantiu Isabel Ucha. A negociação não será contínua e ocorrerá por chamada, pouco depois da abertura dos mercados e um pouco antes da hora de fecho.

(Notícia atualizada às 16h31 com mais informações)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Procura no IPO da Raize foi quatro vezes superior à oferta

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião