Brindes para que te quero: como as marcas vão aos festivais de verão

  • ECO
  • 15 Julho 2018

Os festivais já não são só música. Os festivaleiros entram de calções e t-shirt e saem com chapéus, óculos de sol, fitas e pulseiras, cheios de logótipos das marcas presentes no recinto.

Entre tantos festivais de verão, as marcas têm de escolher em quais marcar presença, e quais patrocinar. Ninguém quer perder a oportunidade de pôr o seu logótipo num brinde, e já são poucos os festivais que não têm no nome a indicação do maior patrocinador. Os que têm mais representatividade, coincidência ou não, são aqueles que estão associados às grandes operadoras de telecomunicações: NOS Alive, MEO Sudoeste e Vodafone Paredes de Coura.

Para a maior parte dos festivaleiros, é no NOS Alive que se encontra uma presença mais expressiva das marcas. Segundo a Cision, o festival no Passeio Marítimo de Algés, em Lisboa, foi o mais mediático de 2017, com mais de seis mil referências e 29 horas dedicadas nas rádios e televisões nacionais. Para qualquer lado que se olhe há uma barraquinha a chamar com brindes e oportunidades, começando logo à porta, onde quem entra recebe um chapéu do festival e uma fita com o programa. Andando mais um pouco aparece outra oferta: um pouco de protetor solar da Well’s para evitar escaldões.

Enquanto esperam pelo concerto dos artistas favoritos, veem-se muitas pessoas a vaguear pelo espaço, povoado com mais de duas dezenas de marcas, e a espreitar para ver o que oferecem. O investimento das marcas no festival pode ser medido pelo tamanho do expositor, onde alguns têm até espaço para ter um terraço, outros ficam-se apenas por uma barraquinha, e ainda há que tenha apenas promotores a distribuir brindes.

Algumas das marcas presentes no festival NOS Alive

As marcas mais associadas a festivais são de telecomunicações e de bebidas, que procuram apelar a um público mais jovem, e passar uma imagem descontraída. Mas quais são os brindes preferidos dos festivaleiros? T-shirts, sweatshirts e acessórios para o telemóvel são os escolhidos. Mas apesar de serem grátis, há um preço a pagar: cerca de uma hora nas filas. Compensa? “Já fiquei na fila este tempo todo agora não vou desistir”, explica Laura, ao ECO, enquanto espera para receber uma bolsa para a cintura da Tezenis.

Só alguns serão depois utilizados. “Tenho chapéus e fitas em casa que nunca usei depois do festival“, diz Laura. Mas na opinião da sua amiga Joana, “os brindes são uma boa forma de o público não só conhecer a marca como também associá-los a uma experiência positiva ou negativa, que por sua vez cria a imagem da marca na mente” dos festivaleiros.

Alguns brindes são dados, já outros é preciso merecê-los. “Num deles, tínhamos de passar por lasers sem tocar para poder ganhar um telemóvel”, recorda Afonso que, este ano, não arranjou bilhetes para festivais. “Estão a ficar cada vez mais caros e esgotam antes de se saber metade do cartaz”, justifica.

Quanto aos desafios, Afonso acha “engraçado porque torna a experiência do festival melhor e dá histórias para contar”. Para o festivaleiro, que já foi ao MEO Sudoeste e ao NOS Alive, o truque para ir buscar brindes é ir mais cedo para o recinto, “não só se evitam filas como se tem mais hipótese de escolha, porque alguns prémios vão esgotando”.

Estes são alguns dos brindes que os festivaleiros recebem.

Mas será que as marcas ficam presentes na cabeça de quem vai buscar os brindes? “Já recebi uns óculos de sol num festival, mas não me recordo da marca que estava lá presente, porque não era uma marca que vendesse óculos de sol”, conta Inês, de 20 anos, que tem uma teoria em relação às marcas. “Se não houver anteriormente uma associação do produto à marca, não é no festival que ela se vai criar”, explica a jovem.

“Lembro-me por exemplo que recebi preservativos da Control, mas não me recordo das marcas de bebidas que me ofereceram óculos e capas de telemóvel”, diz Maria, outra festivaleira com quem o ECO conversou. De facto, muitos exemplificam produtos próprios da marca como mais fácil de associar, como por exemplo desodorizantes da Axe.

A verdade é que podem não associar, mas os logótipos são ostentados pela maior parte das pessoas nos festivais, e os objetos que acabam por ser utilizados depois levam a imagem da marca para outros cantos. O número crescente de empresas que decidem investir num espaço num festival, mão-de-obra apenas para essa ocasião e em produtos de merchandising parece indicar que valerá a pena.

A cobertura mediática dos festivais é outra fonte de rendimento para as marcas. No ano passado, segundo os dados da Cision, o Super Bock Super Rock foi mencionado em 3.710 notícias. No total do ano, os festivais monitorizados pela Cision conseguiram referências em 24.371 notícias e mais de 190 horas de emissão nas rádios e televisões. Em 2018, o Rock in Rio recebeu a maior cobertura mediática até junho e, só nesse mês, conseguiu 73 horas de exposição nas rádios e televisões nacionais.

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