CGD já revelou os seis critérios para fechar os 70 balcões

  • Rita Atalaia
  • 19 Julho 2018

Balcões separados por poucos quilómetros, em zonas com menos população ou que não sejam rentáveis. São apenas alguns dos critérios utilizados pelo banco estatal para fechar as agências.

Pouco rentável, perto de outras agências, localizados em zonas de menor densidade populacional e com uma distância de até 25 quilómetros entre agências. Estes são alguns dos critérios usados pela CGD para escolher quais os balcões a fechar em todo o país, de acordo com uma resposta das Finanças a uma questão colocada pelo Bloco de Esquerda. São cerca de 70 agências a encerrar até ao final do ano, processo que tem sido alvo de críticas das populações, autarquias mas também dos partidos, da esquerda à direita.

“O movimento de encerramento de balcões começou mais tarde na CGD que nos seus concorrentes e, no final deste processo, o banco público continuará a deter a maior rede de agências em Portugal”, afirma o banco liderado por Paulo Macedo através do Ministério das Finanças, em resposta a um requerimento do Bloco de Esquerda.

Neste pedido de esclarecimento enviado por Mariana Mortágua, em junho, a deputada bloquista pediu a Mário Centeno que fosse enviada a lista dos 70 balcões que a CGD quer encerrar até ao final do ano. Contudo, o Ministério das Finanças limitou-se a enumerar os vários critérios usados pelo banco estatal para fechar as agências em todo o país, mantendo-se em silêncio em relação à localização de cada balcão.

Entre os motivos para a escolha das agências a encerrar, no âmbito do programa de recapitalização do banco público, a CGD tem em conta a “reduzida rendibilidade”, balcões nos quais havia um número reduzido de transações, mas também aqueles com agências da Caixa a menos de dois quilómetros, procurando evitar redundâncias.

"O Governo continuará a acompanhar o processo de redimensionamento da rede de balcões da CGD, definido no plano estratégico, para garantir um banco público robusto, viável e acessível a todos os cidadãos e empresas portuguesas.”

Gabinete do ministro das Finanças

Contudo, este perímetro é alargado até aos 25 quilómetros em concelhos de menor densidade populacional e “em que o modelo de acompanhamento de clientes permite manter um acompanhamento adequados dos serviços prestados com minimização da perda de contactos”.

Os seis critérios da CGD para encerrar balcões

  • Reduzida rendibilidade, traduzida em montantes modestos de produto bancário e/ou volume de negócio com pouca expressão, em localidades com fraco crescimento de negócio atual e potencial;
  • Frequência: menor número de transações ao balcão;
  • Proximidade com outras agências (distância inferior a dois quilómetros entre agências);
  • Adaptação do modelo de gestão dos clientes do segmento universitário para uma gestão do relacionamento destes clientes totalmente digitais, que é o que melhor responde às suas necessidades e ao seu modelo preferencial de interação com a CGD;
  • Agências em concelhos de menor densidade populacional e cuja distância à agência mais próxima da CGD é inferior a 25 quilómetros e em que o modelo de acompanhamento de clientes permite manter um acompanhamento adequados dos serviços prestados com minimização da perda de contactos;
  • Situações em que o modelo de negócio se baseia de forma sustentada no negócio de empresas, em que a atividade comercial se exerce junto do cliente e não através de um estabelecimento localizado.

“A maioria das agências a fechar em 2018 está localizada no litoral (55 agências) e, destas, 35 encontram-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto”, de acordo com a resposta do gabinete de Mário Centeno, sem nunca revelar a lista completa de balcões encerrados. Não há lista, mas conhecem-se pelo menos metade das localizações através dos protestos das populações perante os encerramentos.

“O Governo continuará a acompanhar o processo de redimensionamento da rede de balcões da CGD, definido no plano estratégico, para garantir um banco público robusto, viável e acessível a todos os cidadãos e empresas portuguesas”, garante o Governo na resposta assinada pelo chefe de gabinete do ministro das Finanças.

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