Desemprego jovem: Portugal é dos que mais recuperou mas ainda está entre os piores

  • Marta Santos Silva
  • 19 Julho 2018

O FMI assinala que, embora a UE tenha recuperado bastante no desemprego jovem, tal não se deve só à criação de emprego, mas também ao desencorajamento e prolongamento dos estudos de milhões de jovens.

Portugal é um dos países onde o desemprego jovem mais recuperou desde a crise, tendo caído mais do que dez pontos percentuais, mas permanece entre aqueles que têm valores mais altos para o desemprego nesta faixa etária. A recuperação, embora tenha sido das mais acentuadas, não bastou para retirar Portugal do fundo da lista, revela esta quinta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) num relatório sobre as políticas implementadas na União Europeia.

Recentemente, assinalam os responsáveis do FMI, os países da União Europeia têm registado uma queda do desemprego jovem, com “as melhores melhorias (…) a acontecer na Irlanda, Eslováquia, Lituânia, Letónia e Portugal, onde o desemprego jovem caiu mais de dez pontos percentuais”. No entanto, em muitos países as taxas continuam altas, e Portugal está entre os oito com as mais elevadas.

Portugal recuperou mais mas continua em alta

Dados: Eurostat.

Na União Europeia, porém, a queda no desemprego jovem não tem acontecido principalmente pela criação de emprego. O FMI assinala que quase dois terços da recuperação na taxa de desemprego jovem se deve à saída de muitos do mercado de trabalho, seja por estarem desencorajados, seja por apostarem na formação ou educação. São quase três milhões de jovens a menos no mercado de trabalho entre 2008 e 2017, acrescenta o FMI. Só desde 2013, foram criados 300 mil trabalhos mas o desemprego jovem reduziu-se em 900 mil pessoas — ou seja, 600 mil “desapareceram”.

Para onde foram os três milhões desaparecidos?

Há várias razões para a diminuição do número de jovens no mercado de trabalho, que se reflete, por sua vez, na redução do desemprego jovem. Por um lado, assinala o relatório do FMI, o número de jovens diminuiu devido a uma imigração menor para os países europeus na consequência da crise económica. Por outro lado, muitos jovens decidiram dedicar-se à educação e formação. “A proporção de jovens na educação aumentou cinco pontos percentuais desde 2008, para chegar aos 57% em 2017”, assinalam os técnicos do FMI.

Desemprego jovem tardou a recuperar na UE

Portugal também continua a ser um dos países com taxas mais altas de jovens que não estão empregados nem em formação ou educação, assinala o FMI, juntamente com os restantes sete países com a taxa mais alta de desemprego jovem (a Bélgica, o Chipre, a Finlândia, a França, a Grécia, a Itália e Espanha). Em conjunto, o número de jovens apelidados “nem nem” nestes países ascende a uma taxa de 14,1%.

O que dificultou a recuperação do emprego jovem mesmo à medida que a taxa geral de emprego aumentava? O estudo do FMI mostra que a maior parte dos empregos disponíveis para os jovens eram em regime de part-time. Para além disso, os jovens quase só tinham acesso a contratos com termo certo ou de trabalho temporário, o que os deixava mais vulneráveis a choques económicos do que os adultos.

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